Brasil
STJ mantém prisão de influenciador Hytalo Santos e do marido, que serão transferidos para a Paraíba
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, nesta terça-feira (19), o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do influenciador Hytalo Santos e de seu marido, Israel Nata Vicente. O casal está preso preventivamente desde 15 de agosto, acusado de produzir e divulgar material sexualizado envolvendo adolescentes com fins lucrativos. A decisão, assinada pelo ministro Rogerio Schietti Cruz, manteve a determinação da Justiça da Paraíba, que já havia rejeitado medidas alternativas à prisão.
Na decisão, o ministro destacou que não havia ilegalidade “manifesta e intolerável” que justificasse a concessão do habeas corpus em caráter liminar. Ele lembrou ainda que a Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal (STF) restringe a concessão de liminares em habeas corpus quando não há situação excepcional. Para Schietti, os elementos apresentados até agora reforçam a gravidade dos indícios contra o casal.
A defesa havia solicitado medidas como uso de tornozeleira eletrônica, entrega de passaportes e até a permanência em São Paulo, alegando riscos à integridade dos dois caso fossem transferidos para a Paraíba. Todos os pedidos foram rejeitados tanto em audiência de custódia quanto pelo STJ. O magistrado ressaltou que o artigo 227 da Constituição Federal garante proteção especial a crianças e adolescentes, o que exige maior cautela em casos de exploração de menores.
Com a negativa do habeas corpus, a Justiça de São Paulo determinou a transferência de Hytalo e Israel para o sistema prisional da Paraíba. O prazo para o deslocamento é de até cinco dias. A defesa havia tentado manter o casal preso em Tremembé, no interior paulista, mas a solicitação também não foi aceita.
O caso ganhou repercussão nacional não apenas pela gravidade das acusações, mas também pela presença do influenciador nas redes sociais, onde Hytalo Santos acumulava milhares de seguidores. A prisão mobilizou fãs e gerou ampla discussão online, com parte do público defendendo a inocência do casal e outra parte cobrando justiça diante das denúncias.
Nos últimos dias, circulou ainda um boato de que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, teria concedido liberdade ao casal. A informação foi desmentida pela própria defesa, que confirmou que o processo sequer chegou ao STF. Agências de checagem também classificaram a notícia como falsa.
A investigação, conduzida na Paraíba, aponta que o casal estaria envolvido na criação de conteúdo audiovisual sexualizado com adolescentes, o que configuraria crimes graves previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A produção teria, segundo o Ministério Público, objetivos financeiros, o que agravaria o cenário das acusações.
Desde a prisão, realizada na Grande São Paulo, a defesa tenta reverter a medida, argumentando que não há risco de fuga e que o casal teria colaborado com as investigações. Para os advogados, medidas cautelares seriam suficientes para garantir o andamento do processo sem necessidade de manter os dois encarcerados.
O STJ, porém, entendeu que os fundamentos da prisão preventiva se mantêm válidos e que ainda não há elementos novos capazes de modificar o quadro. Segundo o ministro Schietti, a análise aprofundada das provas deve ocorrer no mérito do habeas corpus, em data futura, mas por ora não existe motivo para revogar a decisão anterior.
Com a confirmação da transferência, Hytalo Santos e Israel Nata Vicente deverão ser levados nos próximos dias para a Paraíba, onde permanecerão à disposição da Justiça. O caso segue em tramitação e deve ter novos desdobramentos nas próximas semanas.
Brasil
Arquidiocese restringe atuação digital de padre Júlio Lancellotti e decisão gera críticas
A decisão da Arquidiocese de São Paulo de restringir as transmissões das missas e o uso das redes sociais do padre Júlio Lancellotti gerou estranhamento e críticas dentro e fora da Igreja. Conhecido nacionalmente por sua atuação junto à população em situação de rua, o sacerdote agora vive um período de “recolhimento” determinado pela hierarquia católica, em um momento de forte exposição e debate público sobre seu trabalho.
O próprio padre anunciou a suspensão das transmissões ao final de uma celebração, agradecendo à equipe e afirmando que obedeceria à orientação da Arquidiocese. O tom foi de resignação, mas a medida chamou atenção por atingir justamente um dos poucos religiosos que utilizam as redes como extensão direta de sua missão pastoral, alcançando fiéis e pessoas vulneráveis que não frequentam a igreja fisicamente.
A Arquidiocese afirma que se trata de uma decisão interna e temporária, sem dar maiores detalhes. Ainda assim, o silêncio institucional contrasta com o impacto público da medida. Ao optar por restringir a voz de um padre reconhecido pelo trabalho social, a Igreja acaba transmitindo a imagem de que o problema não são os ataques sofridos por ele, mas a visibilidade de sua atuação.
Padre Júlio Lancellotti construiu sua trajetória ao lado dos mais pobres, denunciando a violência contra pessoas em situação de rua, distribuindo alimentos, cobrindo corpos no frio e confrontando políticas públicas que criminalizam a pobreza. Suas ações extrapolam o discurso religioso e se materializam em gestos concretos, que renderam reconhecimento internacional e, ao mesmo tempo, hostilidade de grupos conservadores.
Nos últimos anos, o padre se tornou alvo frequente de ataques políticos e ideológicos, especialmente por sua postura firme em defesa dos direitos humanos. Em vez de um posicionamento público de proteção e respaldo, a resposta da cúpula da Igreja foi reduzir sua presença digital, o que muitos interpretam como uma concessão à pressão externa.
As missas presenciais seguem acontecendo normalmente, mas a ausência das transmissões afasta justamente quem mais se beneficiava delas: idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e apoiadores que encontravam ali uma mensagem de acolhimento e denúncia social. A decisão, ainda que administrativa, produz efeitos que vão além dos muros da paróquia.
Internamente, a Igreja fala em obediência e disciplina. Externamente, cresce a percepção de que a instituição falha em reconhecer o valor pastoral e social de quem vive o Evangelho de forma prática e incômoda. Ao limitar a atuação pública de Lancellotti, a Arquidiocese acaba reforçando uma distância entre discurso religioso e ação concreta.
Enquanto isso, o trabalho do padre segue vivo nas ruas, nas comunidades e na memória de quem foi ajudado. O silêncio imposto pelas estruturas da Igreja não apaga décadas de dedicação aos que raramente têm voz. Pelo contrário, evidencia um conflito cada vez mais visível entre uma fé vivida na prática e uma instituição que parece desconfortável com ela.
Brasil
Deputado José Airton destaca compromisso climático em participação ativa na COP30
O deputado federal José Airton Cirilo participou de uma das etapas preparatórias da COP30, realizada em Belém do Pará, reforçando seu envolvimento nas discussões internacionais sobre políticas climáticas. Sua presença no Fórum de Parlamentares da União Interparlamentar (UIP) evidencia o papel estratégico do Parlamento brasileiro na formulação de diretrizes para enfrentamento da crise climática — tema central para o futuro econômico, social e ambiental do país.
Durante a reunião, parlamentares de 47 países aprovaram um documento com 25 diretrizes essenciais para combater os efeitos do aquecimento global. O texto reconhece que a crise climática representa uma ameaça existencial, com impactos diretos sobre a segurança alimentar, hídrica, energética, a infraestrutura nacional, o sistema financeiro e, principalmente, os direitos humanos.
Entre os pontos defendidos e discutidos, destacam-se:
Transição energética justa e inclusiva, com redução gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis — como petróleo, carvão e gás natural — e incentivo ao crescimento das energias renováveis.
Fortalecimento dos planos de adaptação climática, com atenção especial às populações mais vulneráveis aos eventos extremos.
Valorização dos conhecimentos indígenas e tradicionais, reconhecendo sua importância na conservação da biodiversidade.
Incorporação do risco climático nas decisões públicas e ampliação do papel dos bancos multilaterais no financiamento de ações sustentáveis.
Reconhecimento do ecocídio como crime internacional e proteção aos defensores do meio ambiente.
Promoção da pesquisa, inovação e uso da inteligência artificial na busca de soluções para a crise climática.
Combate à desinformação climática, considerada um dos grandes desafios contemporâneos.
A presença de José Airton no evento reforça seu compromisso com o debate global e com a construção de políticas públicas que alinhem o Brasil aos principais esforços internacionais de mitigação e adaptação climática. Para ele, participar das discussões da COP30 significa ampliar a voz do Nordeste e defender uma agenda climática que considere as desigualdades regionais, a vulnerabilidade de comunidades tradicionais e a necessidade de desenvolvimento sustentável.
- Com a Amazônia como palco dessa edição histórica, a participação do parlamentar ganha ainda mais relevância. Além de acompanhar as negociações, José Airton contribui para assegurar que o Brasil exerça liderança nos compromissos ambientais e que as ações adotadas cheguem de forma concreta à vida da população.
Brasil
PF INVESTIGA FRAUDE DE R$ 12 BILHÕES NO BANCO MASTER
A Polícia Federal deflagrou uma operação para apurar um suposto esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Master, cujo prejuízo pode chegar a R$ 12 bilhões. A investigação aponta para a emissão irregular de títulos de crédito e movimentações consideradas atípicas, o que teria causado um rombo significativo na instituição.
A polícia federal prendeu na segunda-feira (17) Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no aeroporto de Guarulhos. Ele estava tentando fugir em um avião particular para Malta, país na Europa.
Durante as buscas, agentes da PF apreenderam R$ 1,6 milhão em espécie na casa de um dos investigados. As autoridades também cumpriram mandados de prisão contra executivos do banco, incluindo o proprietário da instituição. A operação busca identificar a extensão das irregularidades e recuperar valores desviados.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master após identificar fragilidades graves na condução das atividades financeiras. A medida tem como objetivo preservar o sistema financeiro e permitir que um interventor analise as contas, contratos e a real dimensão das perdas.
De acordo com a PF, o esquema se baseava na criação e negociação de títulos sem lastro, prática que teria se repetido por anos. A suspeita é de que o dinheiro movimentado abastecia empresas do mesmo grupo econômico, aprofundando o prejuízo e mascarando a real situação financeira do banco.
A investigação também levanta dúvidas sobre a atuação de sócios e gestores que tinham acesso direto às operações internas. Os agentes afirmam que há indícios de fraude estruturada, com participação ativa da alta direção e uso de empresas paralelas para ocultar recursos.
A PF reforça que a operação faz parte de uma estratégia mais ampla de combate a crimes contra o sistema financeiro, com foco na descapitalização de grupos que utilizam estruturas bancárias para praticar golpes. Segundo os investigadores, novas fases da operação não estão descartadas.
O Banco Central deverá apresentar relatórios detalhados sobre a situação do Master nas próximas semanas, enquanto a PF segue analisando documentos, contratos e fluxos financeiros. O desfecho do caso dependerá da conclusão das perícias, do rastreio dos valores e da responsabilização civil e criminal dos envolvidos.
