Brasil
Senado aprova isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira (24) um projeto que amplia de forma significativa a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Pela proposta, trabalhadores e aposentados que recebem até R$ 4.990 por mês deixam de pagar imposto, enquanto quem ganha entre R$ 5.001 e R$ 7.350 passa a ter uma redução progressiva na cobrança, mecanismo que busca suavizar a transição entre faixas salariais.
O texto foi relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) e aprovado em caráter terminativo, o que significa que, se não houver recurso de senadores para levar a votação ao plenário, seguirá diretamente para análise da Câmara dos Deputados. Caso a tramitação se arraste, o relator já admitiu que o governo pode recorrer a uma medida provisória para garantir que a mudança entre em vigor no próximo ano.
O projeto mexe em um dos pontos mais sensíveis da política econômica. A tabela do Imposto de Renda não sofre uma atualização ampla há anos, o que levou milhões de brasileiros de baixa e média renda a caírem na malha de contribuintes, mesmo sem aumento real nos salários. A medida, se confirmada, tem potencial de aliviar o orçamento de quase 15 milhões de pessoas.
Além da ampliação da faixa de isenção, o texto também traz ajustes no topo da pirâmide. Para rendas anuais acima de R$ 600 mil, será instituído um Imposto de Renda mínimo, com alíquotas adicionais que podem chegar a até 10%. O objetivo é compensar a perda de arrecadação gerada pelo alívio fiscal concedido aos contribuintes de renda mais baixa.
Outra mudança envolve a tributação de dividendos. Os ganhos de até R$ 50 mil mensais seguem isentos, mas o que ultrapassar esse patamar passará a sofrer retenção de 10% na fonte. A regra busca evitar distorções que permitam rendimentos elevados escaparem da cobrança de imposto, um ponto que há anos alimenta debates entre governo e Congresso.
O senador Renan Calheiros afirmou que a proposta foi construída para garantir justiça tributária e sustentabilidade fiscal ao mesmo tempo. Segundo ele, quem ganha menos será beneficiado de imediato, mas haverá mecanismos para que os mais ricos contribuam proporcionalmente mais, sem que a União perca arrecadação em larga escala.
A aprovação ocorre em um momento de pressão do governo federal para mostrar avanços na pauta econômica. O Planalto vinha sendo cobrado a cumprir a promessa de ampliar a isenção do Imposto de Renda, bandeira levantada ainda na campanha. Ao mesmo tempo, precisava demonstrar responsabilidade fiscal para não ampliar o rombo nas contas públicas, o que explica as medidas adicionais sobre rendas altas e dividendos.
Agora, a expectativa se volta para a Câmara dos Deputados. Lideranças da Casa já sinalizaram que pretendem apresentar uma proposta própria para tratar da ampliação da faixa de isenção, o que pode abrir caminho para ajustes ou até mesmo para uma disputa entre as versões. Caso o projeto do Senado avance sem alterações, seguirá para sanção presidencial.
Nos bastidores, parlamentares avaliam que o tema terá forte apelo eleitoral e não deve enfrentar resistência entre os deputados. O desafio, entretanto, será conciliar a pressa em dar uma resposta ao eleitorado com a necessidade de garantir equilíbrio fiscal. O Ministério da Fazenda ainda calcula os impactos da renúncia tributária e os efeitos da cobrança extra sobre as camadas mais ricas.
Se confirmada, a medida mudará de forma significativa a base de contribuintes do Imposto de Renda no país. Trabalhadores de renda média deixarão de pagar, enquanto grandes salários e parte dos investidores terão novas regras a cumprir. A proposta, portanto, redistribui a carga tributária e cria um novo desenho para a arrecadação federal a partir de 2026.
Brasil
Arquidiocese restringe atuação digital de padre Júlio Lancellotti e decisão gera críticas
A decisão da Arquidiocese de São Paulo de restringir as transmissões das missas e o uso das redes sociais do padre Júlio Lancellotti gerou estranhamento e críticas dentro e fora da Igreja. Conhecido nacionalmente por sua atuação junto à população em situação de rua, o sacerdote agora vive um período de “recolhimento” determinado pela hierarquia católica, em um momento de forte exposição e debate público sobre seu trabalho.
O próprio padre anunciou a suspensão das transmissões ao final de uma celebração, agradecendo à equipe e afirmando que obedeceria à orientação da Arquidiocese. O tom foi de resignação, mas a medida chamou atenção por atingir justamente um dos poucos religiosos que utilizam as redes como extensão direta de sua missão pastoral, alcançando fiéis e pessoas vulneráveis que não frequentam a igreja fisicamente.
A Arquidiocese afirma que se trata de uma decisão interna e temporária, sem dar maiores detalhes. Ainda assim, o silêncio institucional contrasta com o impacto público da medida. Ao optar por restringir a voz de um padre reconhecido pelo trabalho social, a Igreja acaba transmitindo a imagem de que o problema não são os ataques sofridos por ele, mas a visibilidade de sua atuação.
Padre Júlio Lancellotti construiu sua trajetória ao lado dos mais pobres, denunciando a violência contra pessoas em situação de rua, distribuindo alimentos, cobrindo corpos no frio e confrontando políticas públicas que criminalizam a pobreza. Suas ações extrapolam o discurso religioso e se materializam em gestos concretos, que renderam reconhecimento internacional e, ao mesmo tempo, hostilidade de grupos conservadores.
Nos últimos anos, o padre se tornou alvo frequente de ataques políticos e ideológicos, especialmente por sua postura firme em defesa dos direitos humanos. Em vez de um posicionamento público de proteção e respaldo, a resposta da cúpula da Igreja foi reduzir sua presença digital, o que muitos interpretam como uma concessão à pressão externa.
As missas presenciais seguem acontecendo normalmente, mas a ausência das transmissões afasta justamente quem mais se beneficiava delas: idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e apoiadores que encontravam ali uma mensagem de acolhimento e denúncia social. A decisão, ainda que administrativa, produz efeitos que vão além dos muros da paróquia.
Internamente, a Igreja fala em obediência e disciplina. Externamente, cresce a percepção de que a instituição falha em reconhecer o valor pastoral e social de quem vive o Evangelho de forma prática e incômoda. Ao limitar a atuação pública de Lancellotti, a Arquidiocese acaba reforçando uma distância entre discurso religioso e ação concreta.
Enquanto isso, o trabalho do padre segue vivo nas ruas, nas comunidades e na memória de quem foi ajudado. O silêncio imposto pelas estruturas da Igreja não apaga décadas de dedicação aos que raramente têm voz. Pelo contrário, evidencia um conflito cada vez mais visível entre uma fé vivida na prática e uma instituição que parece desconfortável com ela.
Brasil
Deputado José Airton destaca compromisso climático em participação ativa na COP30
O deputado federal José Airton Cirilo participou de uma das etapas preparatórias da COP30, realizada em Belém do Pará, reforçando seu envolvimento nas discussões internacionais sobre políticas climáticas. Sua presença no Fórum de Parlamentares da União Interparlamentar (UIP) evidencia o papel estratégico do Parlamento brasileiro na formulação de diretrizes para enfrentamento da crise climática — tema central para o futuro econômico, social e ambiental do país.
Durante a reunião, parlamentares de 47 países aprovaram um documento com 25 diretrizes essenciais para combater os efeitos do aquecimento global. O texto reconhece que a crise climática representa uma ameaça existencial, com impactos diretos sobre a segurança alimentar, hídrica, energética, a infraestrutura nacional, o sistema financeiro e, principalmente, os direitos humanos.
Entre os pontos defendidos e discutidos, destacam-se:
Transição energética justa e inclusiva, com redução gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis — como petróleo, carvão e gás natural — e incentivo ao crescimento das energias renováveis.
Fortalecimento dos planos de adaptação climática, com atenção especial às populações mais vulneráveis aos eventos extremos.
Valorização dos conhecimentos indígenas e tradicionais, reconhecendo sua importância na conservação da biodiversidade.
Incorporação do risco climático nas decisões públicas e ampliação do papel dos bancos multilaterais no financiamento de ações sustentáveis.
Reconhecimento do ecocídio como crime internacional e proteção aos defensores do meio ambiente.
Promoção da pesquisa, inovação e uso da inteligência artificial na busca de soluções para a crise climática.
Combate à desinformação climática, considerada um dos grandes desafios contemporâneos.
A presença de José Airton no evento reforça seu compromisso com o debate global e com a construção de políticas públicas que alinhem o Brasil aos principais esforços internacionais de mitigação e adaptação climática. Para ele, participar das discussões da COP30 significa ampliar a voz do Nordeste e defender uma agenda climática que considere as desigualdades regionais, a vulnerabilidade de comunidades tradicionais e a necessidade de desenvolvimento sustentável.
- Com a Amazônia como palco dessa edição histórica, a participação do parlamentar ganha ainda mais relevância. Além de acompanhar as negociações, José Airton contribui para assegurar que o Brasil exerça liderança nos compromissos ambientais e que as ações adotadas cheguem de forma concreta à vida da população.
Brasil
PF INVESTIGA FRAUDE DE R$ 12 BILHÕES NO BANCO MASTER
A Polícia Federal deflagrou uma operação para apurar um suposto esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Master, cujo prejuízo pode chegar a R$ 12 bilhões. A investigação aponta para a emissão irregular de títulos de crédito e movimentações consideradas atípicas, o que teria causado um rombo significativo na instituição.
A polícia federal prendeu na segunda-feira (17) Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no aeroporto de Guarulhos. Ele estava tentando fugir em um avião particular para Malta, país na Europa.
Durante as buscas, agentes da PF apreenderam R$ 1,6 milhão em espécie na casa de um dos investigados. As autoridades também cumpriram mandados de prisão contra executivos do banco, incluindo o proprietário da instituição. A operação busca identificar a extensão das irregularidades e recuperar valores desviados.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master após identificar fragilidades graves na condução das atividades financeiras. A medida tem como objetivo preservar o sistema financeiro e permitir que um interventor analise as contas, contratos e a real dimensão das perdas.
De acordo com a PF, o esquema se baseava na criação e negociação de títulos sem lastro, prática que teria se repetido por anos. A suspeita é de que o dinheiro movimentado abastecia empresas do mesmo grupo econômico, aprofundando o prejuízo e mascarando a real situação financeira do banco.
A investigação também levanta dúvidas sobre a atuação de sócios e gestores que tinham acesso direto às operações internas. Os agentes afirmam que há indícios de fraude estruturada, com participação ativa da alta direção e uso de empresas paralelas para ocultar recursos.
A PF reforça que a operação faz parte de uma estratégia mais ampla de combate a crimes contra o sistema financeiro, com foco na descapitalização de grupos que utilizam estruturas bancárias para praticar golpes. Segundo os investigadores, novas fases da operação não estão descartadas.
O Banco Central deverá apresentar relatórios detalhados sobre a situação do Master nas próximas semanas, enquanto a PF segue analisando documentos, contratos e fluxos financeiros. O desfecho do caso dependerá da conclusão das perícias, do rastreio dos valores e da responsabilização civil e criminal dos envolvidos.
