Sociedade
Rádio no digital conquista espaço no Brasil
Crescimento do consumo online da mídia chega a 186% em dois anos
O rádio, uma das formas de comunicação mais tradicionais do país, segue em constante reinvenção e, agora, consolida sua presença no ambiente digital. Segundo levantamento da plataforma Statista, oito em cada dez brasileiros ouvem rádio ao menos uma vez por semana. Com a ascensão do streaming, esse hábito ganhou novas dimensões.
Dados da Kantar IBOPE Media revelam que 28% dos ouvintes já acompanham o rádio pelo YouTube — seja por transmissões ao vivo ou em formato exclusivamente de áudio. Outros 12% preferem as plataformas de streaming de música e podcasts, como Spotify, Deezer e Amazon Music.
Para Carmen Lúcia, presidente da Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acert), a digitalização expande o alcance e reafirma o papel do rádio como meio acessível e democrático.
> “A digitalização do rádio é uma conquista significativa, tanto para o público quanto para as emissoras. Hoje, a programação pode ser acessada de qualquer lugar, a qualquer hora, seja pelo celular ou pelo computador. Isso permite que o conteúdo vá além do ao vivo, preservando a conexão com a audiência”, pontua.
O avanço desse movimento é notório. Ainda conforme a Kantar, o consumo de rádio online no Brasil saltou 186% entre 2022 e 2024, demonstrando a demanda crescente por conteúdo em áudio nas plataformas digitais.
> “O rádio sempre fez parte do cotidiano: no trânsito, no trabalho, em casa. Agora, com o streaming, ele está também no bolso, nos fones de ouvido, em qualquer momento do dia. Isso cria novas formas de interação e mantém viva a relação de confiança construída ao longo dos anos”, acrescenta a presidente da AceUm exemplo desse cenário é a Rádio Clube 1200, que se consolida como multiplataforma. Além da transmissão tradicional em AM, a emissora está presente no YouTube, Facebook, Instagram, Tiktok, Kawai, em plataformas de música e em aplicativos próprios, oferecendo conteúdos ao vivo e sob demanda. Dessa forma, a Clube 1200 mantém o vínculo com seu público fiel e alcança novas audiências, adaptando-se aos hábitos de consumo atuais sem perder sua identidade.
A expansão do rádio para os serviços digitais evidencia que essa mídia preserva sua relevância, adaptando-se aos novos hábitos de consumo sem perder sua essência. Com linguagem dinâmica e credibilidade reconhecida, o rádio permanece em posição de destaque na vida dos brasileiros — agora, em múltiplas plataformas e formatos.
Brasil
Arquidiocese restringe atuação digital de padre Júlio Lancellotti e decisão gera críticas
A decisão da Arquidiocese de São Paulo de restringir as transmissões das missas e o uso das redes sociais do padre Júlio Lancellotti gerou estranhamento e críticas dentro e fora da Igreja. Conhecido nacionalmente por sua atuação junto à população em situação de rua, o sacerdote agora vive um período de “recolhimento” determinado pela hierarquia católica, em um momento de forte exposição e debate público sobre seu trabalho.
O próprio padre anunciou a suspensão das transmissões ao final de uma celebração, agradecendo à equipe e afirmando que obedeceria à orientação da Arquidiocese. O tom foi de resignação, mas a medida chamou atenção por atingir justamente um dos poucos religiosos que utilizam as redes como extensão direta de sua missão pastoral, alcançando fiéis e pessoas vulneráveis que não frequentam a igreja fisicamente.
A Arquidiocese afirma que se trata de uma decisão interna e temporária, sem dar maiores detalhes. Ainda assim, o silêncio institucional contrasta com o impacto público da medida. Ao optar por restringir a voz de um padre reconhecido pelo trabalho social, a Igreja acaba transmitindo a imagem de que o problema não são os ataques sofridos por ele, mas a visibilidade de sua atuação.
Padre Júlio Lancellotti construiu sua trajetória ao lado dos mais pobres, denunciando a violência contra pessoas em situação de rua, distribuindo alimentos, cobrindo corpos no frio e confrontando políticas públicas que criminalizam a pobreza. Suas ações extrapolam o discurso religioso e se materializam em gestos concretos, que renderam reconhecimento internacional e, ao mesmo tempo, hostilidade de grupos conservadores.
Nos últimos anos, o padre se tornou alvo frequente de ataques políticos e ideológicos, especialmente por sua postura firme em defesa dos direitos humanos. Em vez de um posicionamento público de proteção e respaldo, a resposta da cúpula da Igreja foi reduzir sua presença digital, o que muitos interpretam como uma concessão à pressão externa.
As missas presenciais seguem acontecendo normalmente, mas a ausência das transmissões afasta justamente quem mais se beneficiava delas: idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e apoiadores que encontravam ali uma mensagem de acolhimento e denúncia social. A decisão, ainda que administrativa, produz efeitos que vão além dos muros da paróquia.
Internamente, a Igreja fala em obediência e disciplina. Externamente, cresce a percepção de que a instituição falha em reconhecer o valor pastoral e social de quem vive o Evangelho de forma prática e incômoda. Ao limitar a atuação pública de Lancellotti, a Arquidiocese acaba reforçando uma distância entre discurso religioso e ação concreta.
Enquanto isso, o trabalho do padre segue vivo nas ruas, nas comunidades e na memória de quem foi ajudado. O silêncio imposto pelas estruturas da Igreja não apaga décadas de dedicação aos que raramente têm voz. Pelo contrário, evidencia um conflito cada vez mais visível entre uma fé vivida na prática e uma instituição que parece desconfortável com ela.
Brasil
Deputado José Airton destaca compromisso climático em participação ativa na COP30
O deputado federal José Airton Cirilo participou de uma das etapas preparatórias da COP30, realizada em Belém do Pará, reforçando seu envolvimento nas discussões internacionais sobre políticas climáticas. Sua presença no Fórum de Parlamentares da União Interparlamentar (UIP) evidencia o papel estratégico do Parlamento brasileiro na formulação de diretrizes para enfrentamento da crise climática — tema central para o futuro econômico, social e ambiental do país.
Durante a reunião, parlamentares de 47 países aprovaram um documento com 25 diretrizes essenciais para combater os efeitos do aquecimento global. O texto reconhece que a crise climática representa uma ameaça existencial, com impactos diretos sobre a segurança alimentar, hídrica, energética, a infraestrutura nacional, o sistema financeiro e, principalmente, os direitos humanos.
Entre os pontos defendidos e discutidos, destacam-se:
Transição energética justa e inclusiva, com redução gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis — como petróleo, carvão e gás natural — e incentivo ao crescimento das energias renováveis.
Fortalecimento dos planos de adaptação climática, com atenção especial às populações mais vulneráveis aos eventos extremos.
Valorização dos conhecimentos indígenas e tradicionais, reconhecendo sua importância na conservação da biodiversidade.
Incorporação do risco climático nas decisões públicas e ampliação do papel dos bancos multilaterais no financiamento de ações sustentáveis.
Reconhecimento do ecocídio como crime internacional e proteção aos defensores do meio ambiente.
Promoção da pesquisa, inovação e uso da inteligência artificial na busca de soluções para a crise climática.
Combate à desinformação climática, considerada um dos grandes desafios contemporâneos.
A presença de José Airton no evento reforça seu compromisso com o debate global e com a construção de políticas públicas que alinhem o Brasil aos principais esforços internacionais de mitigação e adaptação climática. Para ele, participar das discussões da COP30 significa ampliar a voz do Nordeste e defender uma agenda climática que considere as desigualdades regionais, a vulnerabilidade de comunidades tradicionais e a necessidade de desenvolvimento sustentável.
- Com a Amazônia como palco dessa edição histórica, a participação do parlamentar ganha ainda mais relevância. Além de acompanhar as negociações, José Airton contribui para assegurar que o Brasil exerça liderança nos compromissos ambientais e que as ações adotadas cheguem de forma concreta à vida da população.
Brasil
Teste de rotina no SUS vai buscar sinais de autismo em crianças pequenas
Crianças de 16 a 30 meses de idade que são atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passarão a ser avaliadas por meio de um teste de triagem durante as consultas regulares. A iniciativa faz parte de uma nova “linha de cuidado” publicada pelo Ministério da Saúde em setembro de 2025.
O que vai mudar
Atualmente, o que era usado em alguns casos ou quando havia suspeitas torna-se obrigatório: o M-Chat, um questionário simples que avalia indicadores de desenvolvimento, agora passará a integrar a rotina dos profissionais da atenção primária (postos de saúde, equipes de saúde da família).
O objetivo dessa mudança é antecipar a identificação de atrasos no desenvolvimento — inclusive sinais que podem indicar autismo — para que intervenções e estímulos possam começar cedo, antes mesmo de um diagnóstico formal.
Quando começa e quem fará
A partir deste ano (2025), o questionário já deve começar a ser aplicado. Em Fortaleza, por exemplo, as 559 equipes de saúde da família espalhadas pelos 134 postos de saúde estão em processo de capacitação para usar essa nova linha de cuidado.
No Ceará, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) coordena o suporte técnico e formação dos profissionais da atenção primária, em especial enfermeiros — que fazem o acompanhamento de rotina (puericultura) das crianças.
O que acontece durante a triagem
Quando uma criança estiver no intervalo de idade entre 16 e 30 meses, o profissional vai aplicar o questionário M-Chat. O resultado indicará se:
-
a criança pode seguir sendo acompanhada normalmente pela atenção básica — ou
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precisa de avaliação mais especializada.
Se for constatado que há indícios de atraso ou risco, a criança poderá ser encaminhada para centros de referência especializados. Em Fortaleza, o novo Centro de Diagnóstico Espaço Girassol, inaugurado em agosto de 2025 no bairro Edson Queiroz, será um desses locais de referência.
Caso não haja necessidade de encaminhamento, o acompanhamento segue no âmbito local, com estímulo precoce nos Núcleos de Desenvolvimento Infantil.
Preparação e apoio
Como a implantação depende dos municípios, o Estado dá apoio técnico para que os profissionais saibam usar a ferramenta corretamente. A capacitação está sendo intensificada entre enfermeiros e equipes envolvidas na atenção primária.
Também estão sendo previstas ações para orientar os pais — porque o apoio familiar e estímulos no dia a dia têm papel fundamental no desenvolvimento.
A saúde pública do Ceará reconhece que a demanda é grande. É preciso não apenas detectar cedo, mas oferecer não só diagnóstico, mas terapias que acompanhem essas crianças ao longo da vida.
