Cultura
Multidão protesta contra feminicídios em Fortaleza
Milhares de pessoas ocuparam a Praia de Iracema, em Fortaleza, no sábado (7), em um ato contra o feminicídio e a violência de gênero.
A manifestação reuniu mulheres, homens e representantes de movimentos sociais, transformando a orla em espaço de denúncia, memória e cobrança por respostas efetivas do poder público.
O protesto ganhou ainda mais força diante de três feminicídios recentes que chocaram o Ceará e foram lembrados ao longo do ato. Os crimes, ocorridos em contextos distintos, tiveram em comum a violência extrema e a proximidade dos agressores com as vítimas, reforçando a denúncia de que muitas mulheres são mortas dentro de relações marcadas por controle e agressões contínuas.
Durante a manifestação, os casos foram citados como exemplos de falhas na prevenção e na proteção das vítimas. Cartazes, falas e intervenções simbólicas destacaram que, em parte dessas situações, havia histórico de violência doméstica e sinais claros de risco que não foram suficientes para impedir os assassinatos.
O ato integrou uma mobilização nacional realizada simultaneamente em diversas capitais brasileiras. Em Fortaleza, a concentração percorreu trechos simbólicos da Praia de Iracema, reunindo manifestantes em um dos pontos mais visíveis da cidade para ampliar o alcance da mensagem.
De acordo com os organizadores, mais de 80 coletivos, entidades e movimentos sociais participaram da mobilização. Grupos feministas, organizações de direitos humanos e redes de apoio a mulheres em situação de violência estiveram presentes, reforçando a articulação entre quem atua na linha de frente do acolhimento.
Entre as principais reivindicações estavam o fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher, a ampliação de casas de acolhimento e mais estrutura para delegacias especializadas. Manifestantes também cobraram respostas mais rápidas do sistema de Justiça e maior fiscalização das medidas protetivas.
Outro ponto recorrente nos discursos foi a necessidade de envolvimento de toda a sociedade no combate à violência de gênero. Os participantes destacaram que o feminicídio não é um problema isolado, mas resultado de uma estrutura social que ainda naturaliza agressões e silencia vítimas.
O protesto foi encerrado de forma pacífica, com homenagens às mulheres assassinadas e a promessa de continuidade da mobilização.
Para os organizadores, lembrar os três feminicídios que chocaram o estado é uma forma de impedir o esquecimento e reforçar que cada vida perdida representa uma falha coletiva que precisa ser enfrentada.