Brasil
Moraes considera infração de Bolsonaro como “isolada” e descarta prisão
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (24) que o ex-presidente Jair Bolsonaro não deverá ser preso por ter violado uma das medidas cautelares impostas pela Corte. De acordo com Moraes, a infração foi considerada uma “irregularidade isolada” e, portanto, não justifica, neste momento, a decretação da prisão preventiva.
A decisão ocorre após Bolsonaro ter participado de uma entrevista que acabou sendo publicada em redes sociais de aliados, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A divulgação do conteúdo, segundo Moraes, representa um descumprimento da proibição de uso direto ou indireto das redes sociais, uma das medidas impostas no contexto das investigações sobre suposta tentativa de golpe de Estado e outros crimes conexos.
Apesar de descartar a prisão imediata, Moraes foi enfático ao afirmar que novas violações resultarão em consequências mais severas. O ministro alertou que, em caso de reincidência, poderá decretar a prisão preventiva do ex-presidente, com base no artigo 312 do Código de Processo Penal, que permite a medida para garantir a ordem pública ou o regular andamento das investigações.
Bolsonaro continua sujeito a um conjunto de restrições, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana, além da proibição de manter contato com autoridades estrangeiras e de sair da comarca sem autorização judicial. Ele também está impedido de utilizar redes sociais, inclusive de forma indireta, por meio de terceiros.
Na avaliação do ministro, não houve elementos suficientes para considerar que a entrevista tenha sido uma estratégia deliberada de violação das medidas. No entanto, Moraes destacou que o conteúdo divulgado nas redes sociais configura uma infração, ainda que não planejada de forma coordenada para burlar a decisão judicial.
A defesa de Bolsonaro sustenta que o ex-presidente apenas concedeu uma entrevista presencial, o que não está proibido pelas medidas cautelares. O problema, segundo o STF, está na forma como o conteúdo foi editado e utilizado nas redes sociais, o que transformaria a fala em uma peça de divulgação política, o que segue vetado.
O caso se insere no contexto das investigações sobre as ações de Bolsonaro e aliados no período pós-eleitoral de 2022. O ex-presidente é alvo de apurações que investigam a disseminação de informações falsas, incitação a atos golpistas e possível tentativa de manipular instituições, incluindo pressões sobre militares e representantes de outros países.
Além dessa frente, Bolsonaro responde a outros processos no Supremo e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já o tornaram inelegível até 2030. O cerco jurídico ao ex-presidente se intensificou após a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do governo, que relatou reuniões e estratégias de contestação do resultado eleitoral.
A decisão de Moraes, por fim, busca manter o equilíbrio entre o cumprimento das medidas judiciais e a preservação do devido processo legal. Ao considerar a infração como pontual, o ministro opta por uma resposta moderada, mas deixa claro que a tolerância será zero diante de futuras violações.
A expectativa agora é de que o ex-presidente e seus aliados atuem com mais cautela em suas manifestações públicas, diante do risco real de prisão. A conduta de Bolsonaro seguirá sendo monitorada de perto pelo STF e por órgãos de investigação, em um cenário político e jurídico ainda em ebulição.
Brasil
Arquidiocese restringe atuação digital de padre Júlio Lancellotti e decisão gera críticas
A decisão da Arquidiocese de São Paulo de restringir as transmissões das missas e o uso das redes sociais do padre Júlio Lancellotti gerou estranhamento e críticas dentro e fora da Igreja. Conhecido nacionalmente por sua atuação junto à população em situação de rua, o sacerdote agora vive um período de “recolhimento” determinado pela hierarquia católica, em um momento de forte exposição e debate público sobre seu trabalho.
O próprio padre anunciou a suspensão das transmissões ao final de uma celebração, agradecendo à equipe e afirmando que obedeceria à orientação da Arquidiocese. O tom foi de resignação, mas a medida chamou atenção por atingir justamente um dos poucos religiosos que utilizam as redes como extensão direta de sua missão pastoral, alcançando fiéis e pessoas vulneráveis que não frequentam a igreja fisicamente.
A Arquidiocese afirma que se trata de uma decisão interna e temporária, sem dar maiores detalhes. Ainda assim, o silêncio institucional contrasta com o impacto público da medida. Ao optar por restringir a voz de um padre reconhecido pelo trabalho social, a Igreja acaba transmitindo a imagem de que o problema não são os ataques sofridos por ele, mas a visibilidade de sua atuação.
Padre Júlio Lancellotti construiu sua trajetória ao lado dos mais pobres, denunciando a violência contra pessoas em situação de rua, distribuindo alimentos, cobrindo corpos no frio e confrontando políticas públicas que criminalizam a pobreza. Suas ações extrapolam o discurso religioso e se materializam em gestos concretos, que renderam reconhecimento internacional e, ao mesmo tempo, hostilidade de grupos conservadores.
Nos últimos anos, o padre se tornou alvo frequente de ataques políticos e ideológicos, especialmente por sua postura firme em defesa dos direitos humanos. Em vez de um posicionamento público de proteção e respaldo, a resposta da cúpula da Igreja foi reduzir sua presença digital, o que muitos interpretam como uma concessão à pressão externa.
As missas presenciais seguem acontecendo normalmente, mas a ausência das transmissões afasta justamente quem mais se beneficiava delas: idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e apoiadores que encontravam ali uma mensagem de acolhimento e denúncia social. A decisão, ainda que administrativa, produz efeitos que vão além dos muros da paróquia.
Internamente, a Igreja fala em obediência e disciplina. Externamente, cresce a percepção de que a instituição falha em reconhecer o valor pastoral e social de quem vive o Evangelho de forma prática e incômoda. Ao limitar a atuação pública de Lancellotti, a Arquidiocese acaba reforçando uma distância entre discurso religioso e ação concreta.
Enquanto isso, o trabalho do padre segue vivo nas ruas, nas comunidades e na memória de quem foi ajudado. O silêncio imposto pelas estruturas da Igreja não apaga décadas de dedicação aos que raramente têm voz. Pelo contrário, evidencia um conflito cada vez mais visível entre uma fé vivida na prática e uma instituição que parece desconfortável com ela.
Brasil
Deputado José Airton destaca compromisso climático em participação ativa na COP30
O deputado federal José Airton Cirilo participou de uma das etapas preparatórias da COP30, realizada em Belém do Pará, reforçando seu envolvimento nas discussões internacionais sobre políticas climáticas. Sua presença no Fórum de Parlamentares da União Interparlamentar (UIP) evidencia o papel estratégico do Parlamento brasileiro na formulação de diretrizes para enfrentamento da crise climática — tema central para o futuro econômico, social e ambiental do país.
Durante a reunião, parlamentares de 47 países aprovaram um documento com 25 diretrizes essenciais para combater os efeitos do aquecimento global. O texto reconhece que a crise climática representa uma ameaça existencial, com impactos diretos sobre a segurança alimentar, hídrica, energética, a infraestrutura nacional, o sistema financeiro e, principalmente, os direitos humanos.
Entre os pontos defendidos e discutidos, destacam-se:
Transição energética justa e inclusiva, com redução gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis — como petróleo, carvão e gás natural — e incentivo ao crescimento das energias renováveis.
Fortalecimento dos planos de adaptação climática, com atenção especial às populações mais vulneráveis aos eventos extremos.
Valorização dos conhecimentos indígenas e tradicionais, reconhecendo sua importância na conservação da biodiversidade.
Incorporação do risco climático nas decisões públicas e ampliação do papel dos bancos multilaterais no financiamento de ações sustentáveis.
Reconhecimento do ecocídio como crime internacional e proteção aos defensores do meio ambiente.
Promoção da pesquisa, inovação e uso da inteligência artificial na busca de soluções para a crise climática.
Combate à desinformação climática, considerada um dos grandes desafios contemporâneos.
A presença de José Airton no evento reforça seu compromisso com o debate global e com a construção de políticas públicas que alinhem o Brasil aos principais esforços internacionais de mitigação e adaptação climática. Para ele, participar das discussões da COP30 significa ampliar a voz do Nordeste e defender uma agenda climática que considere as desigualdades regionais, a vulnerabilidade de comunidades tradicionais e a necessidade de desenvolvimento sustentável.
- Com a Amazônia como palco dessa edição histórica, a participação do parlamentar ganha ainda mais relevância. Além de acompanhar as negociações, José Airton contribui para assegurar que o Brasil exerça liderança nos compromissos ambientais e que as ações adotadas cheguem de forma concreta à vida da população.
Brasil
PF INVESTIGA FRAUDE DE R$ 12 BILHÕES NO BANCO MASTER
A Polícia Federal deflagrou uma operação para apurar um suposto esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Master, cujo prejuízo pode chegar a R$ 12 bilhões. A investigação aponta para a emissão irregular de títulos de crédito e movimentações consideradas atípicas, o que teria causado um rombo significativo na instituição.
A polícia federal prendeu na segunda-feira (17) Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no aeroporto de Guarulhos. Ele estava tentando fugir em um avião particular para Malta, país na Europa.
Durante as buscas, agentes da PF apreenderam R$ 1,6 milhão em espécie na casa de um dos investigados. As autoridades também cumpriram mandados de prisão contra executivos do banco, incluindo o proprietário da instituição. A operação busca identificar a extensão das irregularidades e recuperar valores desviados.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master após identificar fragilidades graves na condução das atividades financeiras. A medida tem como objetivo preservar o sistema financeiro e permitir que um interventor analise as contas, contratos e a real dimensão das perdas.
De acordo com a PF, o esquema se baseava na criação e negociação de títulos sem lastro, prática que teria se repetido por anos. A suspeita é de que o dinheiro movimentado abastecia empresas do mesmo grupo econômico, aprofundando o prejuízo e mascarando a real situação financeira do banco.
A investigação também levanta dúvidas sobre a atuação de sócios e gestores que tinham acesso direto às operações internas. Os agentes afirmam que há indícios de fraude estruturada, com participação ativa da alta direção e uso de empresas paralelas para ocultar recursos.
A PF reforça que a operação faz parte de uma estratégia mais ampla de combate a crimes contra o sistema financeiro, com foco na descapitalização de grupos que utilizam estruturas bancárias para praticar golpes. Segundo os investigadores, novas fases da operação não estão descartadas.
O Banco Central deverá apresentar relatórios detalhados sobre a situação do Master nas próximas semanas, enquanto a PF segue analisando documentos, contratos e fluxos financeiros. O desfecho do caso dependerá da conclusão das perícias, do rastreio dos valores e da responsabilização civil e criminal dos envolvidos.
