Ceará
Vice-governadora defende união contra violência de facções em posse de comitê
A posse do Comitê Municipal de Prevenção à Violência de Fortaleza, realizada nesta segunda-feira (7), transformou-se em um ato político de reafirmação do compromisso entre Estado e Prefeitura diante da escalada da criminalidade no Ceará. Durante a cerimônia, a vice-governadora e secretária da Proteção Social, Jade Romero, afirmou que o enfrentamento às facções e aos homicídios é um desafio que “só será superado com união e corresponsabilidade entre todas as esferas de governo”.
O encontro, marcado pela presença de gestores estaduais e municipais, reforçou a tentativa de ampliar as ações preventivas em meio ao avanço de facções em bairros da Capital e na Região Metropolitana. Somente neste ano, mais de duas mil pessoas já foram vítimas de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) no Estado — cerca de 600 em Fortaleza. Diante desse cenário, o governo aposta na cooperação institucional como eixo central de sua política de segurança.
Jade Romero destacou que a atuação conjunta entre secretarias, Ministério Público, Defensoria e Judiciário é indispensável para enfrentar um fenômeno que há muito deixou de ser local. “As organizações criminosas se espalharam pelo país e assumem hoje dimensões até internacionais. Nenhum ente isolado conseguirá enfrentar isso. Precisamos de um pacto real pela vida”, declarou.
O Comitê Municipal, empossado nesta segunda, será responsável por integrar ações de segurança, assistência social, educação, saúde e justiça, com foco nas áreas de maior vulnerabilidade. A ideia é construir respostas coordenadas, que não se limitem à repressão policial, mas avancem sobre causas estruturais da violência — como o abandono escolar, o desemprego juvenil e a ocupação irregular de territórios dominados por facções.
Entre as estratégias em andamento, o governo estadual aposta no Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência (PreVio), que hoje reúne dez municípios e concentra cerca de 52% dos CVLIs do Ceará. As ações vão desde a requalificação de espaços públicos e melhoria da iluminação urbana até cursos de capacitação profissional e ampliação de equipamentos sociais voltados para crianças e jovens.
Durante o evento, o prefeito José Sarto também destacou que Fortaleza tem buscado atuar “de forma articulada e contínua”, reforçando parcerias com o Estado e com a sociedade civil. Segundo ele, os índices de violência exigem uma resposta planejada, “capaz de dar segurança à população sem abrir mão da dimensão social do problema”.
O clima da cerimônia foi de cooperação institucional, mas com o reconhecimento unânime de que a violência urbana no Ceará alcançou níveis que desafiam as políticas públicas tradicionais. A presença de representantes de diferentes órgãos sinalizou uma tentativa de consolidar uma frente ampla, que inclua políticas sociais e medidas de segurança de forma simultânea.
Ao encerrar o discurso, Jade Romero reiterou que o comitê terá papel essencial na articulação entre Estado e município, com metas de curto e médio prazo. “Precisamos agir nas causas da violência, e não apenas nas consequências. Este comitê simboliza o início de uma nova fase de diálogo e corresponsabilidade com a sociedade”, afirmou.
A expectativa é que, nas próximas semanas, o grupo defina o plano de trabalho com base em indicadores sociais e territoriais, priorizando os bairros mais afetados pela violência letal. As primeiras ações devem incluir diagnósticos locais, parcerias com escolas e projetos de urbanização em áreas críticas. A partir daí, o governo espera criar um modelo integrado que possa ser replicado em outras cidades cearenses.
Ceará
Sana 2026 se estabelece como um dos maiores festivais Geeks do país.
O Sana 2026 Parte 01 realizado no Centro de Eventos do Ceará durante o último final de semana, trouxe novamente para o Ceará diversas atrações que muitos nunca esperariam ver em um estado do Nordeste, tendo em conta todas as dificuldades logísticas, atores requisitados pelo mundo como Jack Gleeson, eternizado como Joffrey Baratheon em Game of Thrones, além de Clive Standen, de Vikings, e Lucy Martin, conhecida por interpretar a Rainha Ingrid participaram do evento, conversando com o público e participando de meet & Greet.
A primeira parte da edição 2026 do Sana registrou público de 100.856 pessoas ao longo de três dias e reforçou o impacto cultural, econômico e social do evento no Ceará. Consolidado como o maior festival geek do Norte e Nordeste, o Sana transformou Fortaleza em vitrine nacional da cultura pop e do entretenimento, com reflexos diretos no turismo, na economia criativa e na projeção cultural do estado.
Durante os três dias de evento, o público teve acesso a uma programação diversificada, com participação de dubladores, criadores de conteúdo, competições, apresentações artísticas, espaços temáticos e experiências interativas. A proposta do festival foi oferecer mais do que uma agenda de atrações, reunindo entretenimento, bem-estar e convivência em um ambiente de celebração, criatividade e inclusão.
“Este foi o maior janeiro do Sana. Já batemos o número de 100 mil visitantes nos três dias. O Sana hoje é muito mais que um evento, é um hub de projetos de impacto, principalmente para os jovens”, afirmou o presidente da FCNB e um dos fundadores do festival, Daniel Braga.
Criado em 2001, o Sana surgiu a partir da iniciativa de jovens cearenses de criar um espaço para celebrar a cultura pop e as tradições asiáticas. Ao longo de mais de duas décadas, o evento deixou de ser um encontro voltado aos fãs de animes para se tornar o maior festival geek e pop do Norte e Nordeste. Promovido pela Fundação Cultural Nipônica Brasileira, o Sana é reconhecido como um dos pilares da economia criativa no Ceará, com impacto direto no turismo e no fortalecimento da diversidade cultural a cada edição.
Ceará
Ciro Gomes se aproxima da direita bolsonarista no Ceará e enterra disputas judiciais
A política cearense entrou numa fase de rearranjos que até pouco tempo pareceriam improváveis. O ex-ministro e ex-presidenciável Ciro Gomes, conhecido por seu discurso duro contra Jair Bolsonaro e seus aliados, passou a protagonizar um movimento de aproximação com a direita bolsonarista no Ceará. O gesto não é pontual nem apenas retórico: envolve encontros públicos, acenos políticos e até o encerramento de disputas judiciais que simbolizavam anos de embate.
O ponto de inflexão começou após o segundo turno das eleições municipais de 2024 em Fortaleza. Com o candidato apoiado por Ciro fora da disputa e uma polarização direta entre PT e PL, abriu-se um vácuo estratégico na oposição ao governo petista no Estado. A leitura de aliados de Ciro foi clara: sem algum nível de convergência entre forças antagonistas, seria impossível enfrentar a hegemonia petista no Ceará.
Desde então, os sinais de conciliação se multiplicaram. Ciro passou a dialogar com lideranças do PL, União Brasil e Progressistas, elogiou publicamente nomes ligados ao bolsonarismo local e defendeu a construção de uma frente ampla de oposição. A filiação ao PSDB, em 2025, ocorreu em um ambiente já marcado por essa reconfiguração, com figuras da direita presentes e dispostas a dividir o mesmo palanque.
Mas talvez o gesto mais simbólico dessa aproximação esteja fora dos discursos e dentro dos tribunais. Antigos processos judiciais, movidos em meio a ataques pessoais e acusações pesadas durante campanhas passadas, começaram a ser retirados. Ciro desistiu de ações por danos morais contra políticos bolsonaristas, enquanto dirigentes do PL e aliados históricos de Bolsonaro também arquivaram processos contra o ex-governador. A justificativa formal fala em “aproximação” e “quitação mútua”; politicamente, o recado é de trégua.
O caso envolvendo o vereador Inspetor Alberto, do PL, é exemplar. Após anos de troca de acusações e um pedido de indenização por danos morais, as defesas das duas partes optaram pela desistência conjunta da ação. O mesmo ocorreu em processos envolvendo Capitão Wagner e até o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que ordenou pessoalmente a retirada de ações contra Ciro. O argumento, dito sem rodeios, foi pragmático: unir forças para enfrentar o PT no Ceará.
Essa movimentação, no entanto, não ocorre sem ruídos. Dentro do próprio bolsonarismo, a aproximação com Ciro provocou reações duras. Setores mais ideológicos veem o ex-ministro como um adversário histórico, alguém que passou anos atacando Bolsonaro e seu entorno. As críticas públicas e o desconforto interno expuseram fissuras no PL e levaram a cúpula nacional do partido a frear, ao menos temporariamente, o avanço da aliança.
Ainda assim, o gesto de Ciro parece calculado. Ao abrir mão de disputas judiciais e suavizar o discurso, ele sinaliza disposição para ocupar um espaço de liderança na oposição cearense, mesmo que isso signifique conviver com antigos inimigos. Para aliados, trata-se de maturidade política e leitura realista do cenário. Para críticos, é oportunismo eleitoral e abandono de posições históricas.
O fato é que a política do Ceará entrou definitivamente em modo de recomposição. A aproximação entre Ciro Gomes e a direita bolsonarista não apaga o passado, mas revela como antigas fronteiras ideológicas podem ser redesenhadas diante de interesses eleitorais maiores. Se essa aliança se consolidará ou ruirá sob o peso das contradições, ainda é cedo para afirmar. Por ora, o que se vê é um inimaginável cessar-fogo entre rivais que passaram anos se atacando — nos palanques e nos tribunais.
Ceará
Emboscada deixa quatro mortos em cidades do interior do Ceará
Quatro homens foram assassinados em uma ação criminosa considerada uma chacina no interior do Ceará. Os corpos foram localizados em dois municípios diferentes, o que inicialmente levantou a hipótese de crimes distintos, descartada após o avanço das investigações policiais.
O primeiro corpo foi encontrado na zona rural de Pires Ferreira. Pouco tempo depois, outros três homens foram achados mortos nas proximidades do Açude Araras, área que fica entre municípios da região Norte do Estado e costuma ter acesso difícil.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, os homicídios fazem parte de um mesmo episódio violento, ocorrido após uma emboscada. A polícia aponta que o grupo foi atraído de forma planejada para um local isolado, onde acabou surpreendido por homens armados.
As investigações indicam que as vítimas teriam ido até uma ilhota no açude utilizando uma canoa, com o objetivo de realizar um ataque criminoso. No entanto, ao chegarem ao ponto combinado, foram cercadas e executadas a tiros.
A Polícia Civil apura que os quatro homens tinham ligação direta com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). A principal linha investigativa é que a emboscada tenha sido articulada dentro do próprio contexto do crime organizado, possivelmente envolvendo disputas internas ou conflitos com grupos rivais.
Três das vítimas já foram oficialmente identificadas: Antônio Paulo Sérgio da Silva Costa, de 28 anos; José Breno de Lima Dutra, também de 28; e Maicon Rodrigues Melo, de 30 anos. O quarto homem segue sem identificação confirmada pelas autoridades.
Informações preliminares apontam que alguns dos mortos possuíam antecedentes criminais, incluindo envolvimento com tráfico de drogas e outros delitos, o que reforça a hipótese de ligação com organizações criminosas atuantes na região.
