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UNIÃO BRASIL DÁ 24H PARA FILIADOS ROMPEREM COM GOVERNO
O União Brasil anunciou nesta quinta-feira, 18, uma decisão drástica: todos os filiados que ocupam cargos em comissão no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva terão 24 horas para entregar suas funções. A resolução foi aprovada por unanimidade pela Executiva Nacional da legenda e prevê punições severas, incluindo expulsão, para quem descumprir a ordem. O movimento representa um corte definitivo entre o partido e a administração federal, acentuando uma crise política que vinha se desenhando nas últimas semanas.
Atualmente, o União Brasil ocupa posições estratégicas na máquina pública, incluindo o Ministério do Turismo, sob comando de Celso Sabino (PA), além de cargos em diversos órgãos federais. A sigla também foi responsável por indicar Waldez Góes, ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, e Frederico Siqueira, ministro das Comunicações, ambos da cota de Davi Alcolumbre, senador e dirigente influente do partido. Com a resolução, todos passam a ser pressionados a se desligar imediatamente de suas funções, sob risco de enquadramento por infidelidade partidária.
A crise não surgiu do nada. Há semanas, Celso Sabino tentava negociar uma saída honrosa com a direção do partido, buscando preservar o espaço no Turismo. As tratativas, no entanto, foram atropeladas pelo endurecimento da Executiva, que optou por sacramentar o desembarque da base governista. A decisão é vista como um recado direto ao Palácio do Planalto e pode comprometer a governabilidade, já que o União controla uma das maiores bancadas do Congresso.
A resolução prevê que qualquer filiado que insista em permanecer no governo será alvo de processo disciplinar por infidelidade partidária. No estatuto, esse tipo de conduta pode levar até à expulsão. Em nota oficial, a cúpula do partido afirmou que a medida reforça a autonomia da legenda e que a votação unânime demonstra coesão interna. Na prática, a orientação obriga ministros, secretários e ocupantes de cargos de confiança ligados à sigla a se afastar em poucas horas.
O movimento ocorre em meio a uma turbulência ainda maior: o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, passou a ser citado em investigações da Polícia Federal. Depoimentos de um piloto apontam que aeronaves utilizadas por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) teriam relação com empresas ligadas a Rueda. A Operação Carbono Oculto, que apura infiltração do crime organizado em setores como combustíveis e aviação, já identificou aviões de alto valor supostamente vinculados ao esquema.
As suspeitas não se limitam às aeronaves. Relatórios indicam que postos de combustíveis, fundos de investimento e empresas de fachada teriam movimentado bilhões de reais em operações fraudulentas entre 2020 e 2024, causando prejuízo estimado em mais de R$ 8 bilhões aos cofres públicos. Nesse contexto, o nome de Rueda surge como possível beneficiário ou sócio oculto em parte desses negócios, embora até agora não haja denúncia formal contra ele.
Rueda, por sua vez, nega categoricamente qualquer envolvimento. Em sucessivas manifestações à imprensa, afirmou que nunca foi dono das aeronaves citadas e que as acusações se baseiam em “ilações irresponsáveis” sem fundamento jurídico. Segundo ele, trata-se de uma ofensiva política para enfraquecer o União Brasil e desgastar sua imagem pessoal no momento em que o partido assume posição de independência em relação ao governo Lula.
Dirigentes da legenda também veem coincidência suspeita no avanço das denúncias justamente quando o partido decide abandonar cargos federais. Em nota paralela, aliados de Rueda falaram em “uso político do aparato investigativo” e criticaram a exposição de informações ainda em fase preliminar. Apesar das alegações, a situação do dirigente aumenta a pressão sobre a legenda, que tenta equilibrar o discurso de autonomia com a necessidade de blindar sua liderança.
No Congresso, o rompimento pode reconfigurar votações importantes. O União Brasil reúne cerca de 60 deputados e quase uma dezena de senadores, número suficiente para alterar correlações de força em projetos estratégicos do governo. A saída do partido da base amplia as incertezas na articulação política e deve obrigar o Planalto a buscar apoio extra em outras siglas do centrão, especialmente PSD e MDB.
A consequência imediata da resolução é clara: em até 24 horas, ministros e ocupantes de cargos federais indicados pelo União terão de entregar os postos, sob risco de processo de expulsão. Ao mesmo tempo, a legenda se vê obrigada a administrar as denúncias contra seu presidente, que ainda não se tornaram ações judiciais, mas já desgastam publicamente a imagem do partido. O duplo desafio — político e judicial — projeta semanas de tensão para uma das maiores siglas do país.
Destaque
Bebê de 1 ano morre afogado no Icaraí
Na manhã desta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, um bebê de 1 ano e 9 meses morreu após se afogar em uma piscina localizada em uma residência no bairro Praia do Icaraí, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. A criança foi encontrada em situação de afogamento dentro do imóvel, o que mobilizou familiares em busca de socorro imediato.
Segundo informações apuradas, o bebê foi levado por um adulto e pela irmã, de 13 anos, até o quartel do Corpo de Bombeiros da região. Ao chegar ao local, a criança já estava desacordada e sem sinais vitais, o que levou as equipes de resgate a iniciarem os procedimentos de emergência.
Bombeiros militares realizaram manobras de reanimação cardiopulmonar com apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas chegou a ser acionado e permaneceu de prontidão para uma possível transferência hospitalar, mas o óbito foi confirmado ainda no quartel.
Apesar dos esforços das equipes de socorro, a criança não respondeu aos procedimentos médicos. A confirmação da morte causou comoção entre familiares e pessoas que acompanhavam o atendimento no local.
A Polícia Civil do Estado do Ceará foi acionada para investigar as circunstâncias do afogamento. O caso será apurado para esclarecer como ocorreu o acesso da criança à piscina e se havia algum fator que possa ter contribuído para o acidente.
O corpo do bebê foi encaminhado para a realização dos exames periciais, que devem auxiliar na confirmação da causa da morte. A investigação também inclui a coleta de depoimentos de familiares e possíveis testemunhas.
Casos de afogamento envolvendo crianças pequenas em piscinas residenciais são considerados graves e costumam acontecer de forma silenciosa e rápida, o que reforça a necessidade de atenção constante em ambientes com água.
O episódio gerou tristeza entre moradores da região e reacendeu o debate sobre a importância de medidas de segurança e supervisão contínua de crianças, especialmente em residências que possuem piscinas ou outros locais de risco.
Ceará
Emboscada deixa quatro mortos em cidades do interior do Ceará
Quatro homens foram assassinados em uma ação criminosa considerada uma chacina no interior do Ceará. Os corpos foram localizados em dois municípios diferentes, o que inicialmente levantou a hipótese de crimes distintos, descartada após o avanço das investigações policiais.
O primeiro corpo foi encontrado na zona rural de Pires Ferreira. Pouco tempo depois, outros três homens foram achados mortos nas proximidades do Açude Araras, área que fica entre municípios da região Norte do Estado e costuma ter acesso difícil.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, os homicídios fazem parte de um mesmo episódio violento, ocorrido após uma emboscada. A polícia aponta que o grupo foi atraído de forma planejada para um local isolado, onde acabou surpreendido por homens armados.
As investigações indicam que as vítimas teriam ido até uma ilhota no açude utilizando uma canoa, com o objetivo de realizar um ataque criminoso. No entanto, ao chegarem ao ponto combinado, foram cercadas e executadas a tiros.
A Polícia Civil apura que os quatro homens tinham ligação direta com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). A principal linha investigativa é que a emboscada tenha sido articulada dentro do próprio contexto do crime organizado, possivelmente envolvendo disputas internas ou conflitos com grupos rivais.
Três das vítimas já foram oficialmente identificadas: Antônio Paulo Sérgio da Silva Costa, de 28 anos; José Breno de Lima Dutra, também de 28; e Maicon Rodrigues Melo, de 30 anos. O quarto homem segue sem identificação confirmada pelas autoridades.
Informações preliminares apontam que alguns dos mortos possuíam antecedentes criminais, incluindo envolvimento com tráfico de drogas e outros delitos, o que reforça a hipótese de ligação com organizações criminosas atuantes na região.
Brasil
Arquidiocese restringe atuação digital de padre Júlio Lancellotti e decisão gera críticas
A decisão da Arquidiocese de São Paulo de restringir as transmissões das missas e o uso das redes sociais do padre Júlio Lancellotti gerou estranhamento e críticas dentro e fora da Igreja. Conhecido nacionalmente por sua atuação junto à população em situação de rua, o sacerdote agora vive um período de “recolhimento” determinado pela hierarquia católica, em um momento de forte exposição e debate público sobre seu trabalho.
O próprio padre anunciou a suspensão das transmissões ao final de uma celebração, agradecendo à equipe e afirmando que obedeceria à orientação da Arquidiocese. O tom foi de resignação, mas a medida chamou atenção por atingir justamente um dos poucos religiosos que utilizam as redes como extensão direta de sua missão pastoral, alcançando fiéis e pessoas vulneráveis que não frequentam a igreja fisicamente.
A Arquidiocese afirma que se trata de uma decisão interna e temporária, sem dar maiores detalhes. Ainda assim, o silêncio institucional contrasta com o impacto público da medida. Ao optar por restringir a voz de um padre reconhecido pelo trabalho social, a Igreja acaba transmitindo a imagem de que o problema não são os ataques sofridos por ele, mas a visibilidade de sua atuação.
Padre Júlio Lancellotti construiu sua trajetória ao lado dos mais pobres, denunciando a violência contra pessoas em situação de rua, distribuindo alimentos, cobrindo corpos no frio e confrontando políticas públicas que criminalizam a pobreza. Suas ações extrapolam o discurso religioso e se materializam em gestos concretos, que renderam reconhecimento internacional e, ao mesmo tempo, hostilidade de grupos conservadores.
Nos últimos anos, o padre se tornou alvo frequente de ataques políticos e ideológicos, especialmente por sua postura firme em defesa dos direitos humanos. Em vez de um posicionamento público de proteção e respaldo, a resposta da cúpula da Igreja foi reduzir sua presença digital, o que muitos interpretam como uma concessão à pressão externa.
As missas presenciais seguem acontecendo normalmente, mas a ausência das transmissões afasta justamente quem mais se beneficiava delas: idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e apoiadores que encontravam ali uma mensagem de acolhimento e denúncia social. A decisão, ainda que administrativa, produz efeitos que vão além dos muros da paróquia.
Internamente, a Igreja fala em obediência e disciplina. Externamente, cresce a percepção de que a instituição falha em reconhecer o valor pastoral e social de quem vive o Evangelho de forma prática e incômoda. Ao limitar a atuação pública de Lancellotti, a Arquidiocese acaba reforçando uma distância entre discurso religioso e ação concreta.
Enquanto isso, o trabalho do padre segue vivo nas ruas, nas comunidades e na memória de quem foi ajudado. O silêncio imposto pelas estruturas da Igreja não apaga décadas de dedicação aos que raramente têm voz. Pelo contrário, evidencia um conflito cada vez mais visível entre uma fé vivida na prática e uma instituição que parece desconfortável com ela.
