Samba do crioulo doido: arquiteta ganhou os R$ 600, mas não precisa

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O pagamento da primeira parcela do auxílio emergencial de R$ 600 expõe algumas distorções criadas pela lei. De um lado, algumas pessoas que precisam de dinheiro para sobreviver não cumprem os requisitos estabelecidos pelo governo para ter direito ao benefício. Por outro lado, há quem tenha direito aos R$ 600, mas diga que não necessita dele, de fato.

É o caso de Mateus, 20, que conversou na condição de anonimato. Natural de Maceió, ele trabalha como açougueiro sem carteira assinada em Curitiba e ganha uma renda extra alugando sem contrato sua casa em Alagoas.

Na quinta passada (09/04), ele recebeu o benefício de R$ 600 automaticamente em sua conta na Caixa Econômica Federal, sem nem solicitá-lo. Inscrito no Cadastro Único desde antes do início da pandemia, quando ele estava desempregado, oficialmente ele preenche todos os requisitos do governo.

Ele diz que não precisa desse dinheiro e, por isso, decidiu usar o valor para encomendar 200 máscaras de pano para doar a alguma instituição beneficente de Curitiba. Ele pretende fazer o mesmo com os valores que deve receber nos próximos dois meses.

“Não sabia o que fazer [com esse dinheiro], não sabia como devolver, aí achei legal [comprar as máscaras]”, conta.

Por outro lado, a microempresária Yasmin Lubachevisk, 23, arquiteta recém-formada, conta que precisaria da ajuda do governo, mas não cumpre os requisitos para ter direito ao auxílio emergencial.

Yasmin não se encaixa no regime do MEI (Microempreendedor Individual), que daria acesso ao benefício, pois sua categoria profissional não permite. Com poucos e pequenos clientes e sem nenhum funcionário, acessar as linhas de crédito oferecidas para empresas também não é uma opção viável.

Ela se encontra num limbo: sua empresa é muito grande para receber o auxílio de R$ 600, mas muito pequena para acessar os pacotes de crédito empresarial.

Especializada em restauros de igrejas, a arquiteta costumava receber os pagamentos mensalmente da Comunidade da Igreja de São Pedro, em Prudentópolis, no interior do Paraná, conforme as obras avançavam. Mas, com as medidas de isolamento em vigor e sem previsão de voltar à normalidade, a igreja teve que interromper os eventos sociais para a arrecadação de fundos, o que levou à suspensão das obras e dos pagamentos à profissional.

Fonte: UOL/Foto: (Divulgação)

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