Roubos caem 20% em Fortaleza

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O titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, comenta as estratégias para a redução de crimes violentos letais e intencionais (CVLIs) e crimes violentos contra o patrimônio (CVPs) no Ceará. Ele rebate a tese dos indicadores de criminalidades serem devido a ordens de chefes de facções. Conforme O POVO mostrou em 25 de abril deste ano, uma liderança da facção Guardiões do Estado, em depoimento em dezembro de 2018, disse haver uma orientação para não atacar rivais. “Vocês devem ter notado que os homicídios diminuíram”, chegou a dizer. Para o secretário, a redução dos indicadores se deve ao trabalho das forças de segurança.

O POVO: Quais as principais estratégias empregadas pela SSPDS que tiveram relação com as diminuições de crimes violentos contra o patrimônio e de crimes violentos letais e intencionais?

André Costa: Parte da distinção, da classificação dos crimes conforme a resposta policial necessária. Nós temos os crimes de mobilidade e os crimes territoriais. Para cada tipo de crime, nós temos uma estratégia que foi traçada, que é bem diferente uma da outra.

OP: O que muda de um para outro? É possível dizer quais regiões estão sendo mais privilegiadas?

André Costa: Para os crimes de mobilidade, a gente monta uma estratégia que já está bem conhecida, o trabalho que a gente faz com ampliação das câmeras de videomonitoramento, com o emprego de uma ferramenta de inteligência artificial, de detecção automática dos veículos que devam ser objeto de investigação ou de abordagem, que é o Spia (Sistema Policial Indicativo de Abordagem). E também a montagem de cercos inteligentes, e o investimento em moto-patrulhamento. A gente consegue, então, combater melhor. Evita com que o criminoso, ao roubar um veículo, consiga praticar outros crimes usando esse veículo roubado ou furtado. E a gente, então, consegue reduzir não só o número de roubo de veículos, mas também o roubo em geral.

OP – E para os CVLI?

André -Com relação ao CVLI, que são os crimes territoriais, a estratégia já é diferente. A gente faz todo o estudo de 70 indicadores, que foram estudados pela Supesp (Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública). Foram estudados os CVLIs dos últimos quatro anos mais outros 69 fatorizados em renda, educação, saneamento, infraestrutura e densidade populacional e habitacional. Esse estudo define as áreas mais sensíveis para a segurança pública. Em cima disto, nós territorializamos o policiamento. Esses territórios que eram disputados por grupos criminosos passam a ter o predomínio da presença policial, policiamento fixo, através da instalação de bases do Proteger (Programa de Proteção Territorial e Gestão de Riscos), conhecidos visualmente como os contêineres. E, além da presença policial, a gente implanta também o trabalho da Polícia Civil nesses territórios. Trabalho em que eles focam também em equipes para trabalhar nesses microterritórios, de conhecer quem são os criminosos que estão presentes nessas áreas. E, além disso, um alinhamento com a Prefeitura e outras partes do Estado para que direcione urbanização e desenvolvimento econômico e social, principalmente, para essas regiões.

OP: É possível falar em reorganização das facções criminosas que atuam no Estado? Em dezembro último, Yago Steferson Alves dos Santos, em depoimento à Draco, afirmou que haveria uma ordem para não atacar inimigos, apenas para auto-defesa, e ainda relacionou isso à diminuição dos homicídios. Essa alegação faz sentido?

André Costa: Essa afirmação não pode ser descontextualizada de tudo o que vem acontecendo dentro do Estado. É uma afirmação feita no mês de dezembro, depois de nove meses de redução de homicídios no Estado, depois de dez meses de redução de homicídios na Capital, depois de 16, aproximadamente, meses de redução de roubos no Estado, depois de dois anos seguidos de redução de roubo a banco, a carro-forte, de roubo a cargas, de veículos, de latrocínios, depois de dois anos aumentando a apreensão de armas, dois anos aumentando prisões qualificadas. Esse depoimento foi feito nesse contexto. Olhando o lado de um membro de uma organização criminosa, ele vai querer atribuir esses indicadores à Polícia, ao Estado? Obviamente, vai contra o interesse dele.

Fonte: https://www.opovo.com.br/jornal/reportagem/2019/05/17/roubos-caem-20–em-fortaleza.html