Quem é a médica do MS cuja alcunha é “capitã cloroquina”

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"Capitã cloroquina", tinha que ser cearense...

Pediatra no Ceará que começou a se notabilizar no movimento contra a vinda de cubanos pelo programa Mais Médicos ainda em 2013 e depois virou sindicalista, Mayra Pinheiro entrou no governo Jair Bolsonaro por uma espécie de “cota” reservada ao movimento médico apoiador do presidente desde a época da campanha eleitoral. Sem uma atuação acadêmico-científica de relevo nem experiência em gestão na Saúde, a médica apareceu como um nome aceitável diante das outras duas opções que circulavam na equipe de transição — consideradas mais radicais e com menos vivência que ela.

Ciente de que precisaria contemplar alguém do grupo, Luiz Henrique Mandetta, já escolhido para ministro da Saúde por Bolsonaro e que conhecia Pinheiro do circuito de críticos atrozes do Mais Médicos, do qual também fazia parte, nomeou a pediatra, mas colocou-a como titular de uma secretaria sem muita expressão, a de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. De secretária “café com leite”, que “entrava muda e saía calada” da maior parte das reuniões, segundo relatos, Pinheiro se transformou na “Capitã Cloroquina”.

O novo rumo da pediatra de 54 anos, cearense de Fortaleza, começou a ser traçado a partir da demissão de Mandetta da pasta, em abril do ano passado, sob forte clima de despedida em um auditório lotado do ministério. Pinheiro não compareceu e, de acordo com interlocutores, também não se despediu do ex-chefe por telefone ou mensagem, como sugere o protocolo das relações de trabalho.

Em uma das primeiras reuniões do oncologista Nelson Teich, que sucedeu a Mandetta, e de seu então número 2, o general Eduardo Pazuello, hoje ministro, com o secretariado, pairava um clima tenso e de consternação. Os participantes se constrangiam com as inúmeras interrupções de Pazuello quando Teich estava falando, exceto Pinheiro. A disponibilidade e contentamento da secretária foram notados por pessoas que participaram do encontro.

A trajetória de Pinheiro na pandemia pode ser classificada como antes e depois de Pazuello, dizem pessoas que acompanham as movimentações na pasta. Na condição de médica, posto não muito comum na equipe do ministro, ele também sem formação na área da Saúde, Pinheiro foi escalada como porta-voz do que foi considerado absurdo por sociedades científicas: justificou, em entrevista, as novas orientações que ampliavam o uso da cloroquina, até para pacientes com sintomas leves. Foi uma das primeiras ações de Pazuello como ministro interino.

Não importou sua secretaria não ter qualquer relação com pesquisas de medicamentos ou terapias: Pinheiro se agarrou à cloroquina, embalada no mote do “tratamento precoce”, e não mais largou. Experimentando um protagonismo que nunca teve até então na pasta, conseguiu emplacar um aliado, Hélio Angotti, que era diretor em seu departamento, para assumir a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde — essa sim responsável por acompanhar experimentos em saúde, inclusive farmacêuticos.

Fonte: Revista Época/Arilo/Foto: (Reprodução)

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