Nova secretária do Audiovisual, Gouvêa, concorda com fim da Ancine

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Reunião com Fátima Gouvêa (no centro, sem óculos) e ministro Osmar Terra em junho

Desconhecida de movimentos da cultura e desejo de extinguir Agência Nacional de Cinema (Ancine). São os principais predicados da nova secretária do Audiovisual, Katiane de Fátima Gouvêa. Ela é também membro da Cúpula Conservadora das Américas. Sua nomeação foi publicada no dia (27/11) no Diário Oficial da União. Ela substitui Ricardo Rihan, que durou quatro meses no cargo.

Além de visão ultrapassada, Gouvêa ganhou a estima de Bolsonaro ao participar da primeira conferência da Cúpula Conservadora realizada em dezembro de 2018. Seu nome é associado a um documento que, meses atrás, fez o presidente cogitar extinguir a Ancine. Bolsonaro recebeu um relatório de projetos aprovados pela agência que considerou absurdos, como “Born to Fashion”, um reality que se propõe a revelar modelos trans.

O texto, endossado por Gouvêa e assinado pelo conservador Movimento Brasil 2100, também escracha a autorização para captar recursos para uma nova temporada de série sobre a ex-prostituta Bruna Surfistinha e produções sobre a preservação da Amazônia. Acredita-se que seja uma dos argumentos para deletar a Ancine

Sua participação ganhou destaque em reportagem institucional sobre o encontro. “Gouvêa salientou o papel da Secretaria Especial da Cultura para o desenvolvimento do país e o resgate de bons costumes e da valorização do belo e da arte clássica”, dizia o texto.

Gouvêa se candidatou a deputada federal no ano passado, pelo PSD, sob a alcunha Katiane da Seda. Ela ocupou a diretoria de relações governamentais da Abraseda (Associação Brasileira de Seda). Com 960 votos, não se elegeu. Ela não é conhecida por trabalhos no meio cultural, mas arriscou uns pitacos na área nos últimos meses.

Em outubro, Gouvêa cobrou que a Secretária Especial de Cultura buscasse um relacionamento “mais sincero” com grupos direitistas, em artigo publicado no site conservador Conexão Política. “Os movimentos de direita possuem uma vasta gama de pessoas técnicas que prezam e respeitam a arte e cultura pois reconhecem o seu potencial na formação dos valores cívicos de uma sociedade. É chegada a hora de uma nova política pública de cultura.”

Em agosto, o presidente disse o que seria, a seu ver, um perfil ideal para chefiar a Ancine, fiscalizada pela Secretaria do Audiovisual: um evangélico apto a recitar de cor “200 versículos bíblicos”, que tivesse os joelhos machucados de tanto ajoelhar e que andasse com a Bíblia debaixo do braço.

Fonte: Folha de S.Paulo/Foto: (Divulgação)

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