Morador sem-teto diz: “Então, é Natal”

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Qual nosso verdadeiro sentimento de Natal. Pança cheia, muita bebida...e o próximo

Até que ponto alcança a total falta de solidariedade do ser humano nos dias atuais. Basta ter coragem e olhar de frente a situação de centenas de fortalezenses desempregados, sobrevivendo de cata lixo e sem-teto. Exemplo concreto, dessas afirmações, pode ser visto, mesmo que não queira, no barraco de papelão e plástico localizado na calçada da Avenida Eduardo Girão, Fátima, perto da Praça M. Dias Branco. Esse morador não foi visto sequer no período das eleições.

Por mais absurdo que possa parecer, esse morador invisível, preferindo não se identificar, recebe ajuda principalmente de famílias de baixa renda ou das pessoas simples que passam por lá. Raramente, um motorista olha pro barraco e joga algum “trocado” ou alimento. A situação do morador invisível é difícil, no momento. Agora, imagine quando chegar o inverno. Ele conta que veio do interior do Estado em busca de ganhar a vida, na capital cearense.

Logo nos primeiros dias, em Fortaleza, o sonho do morador invisível foi desfeito. Saiu do sertão sabendo que tinha emprego certo na capital. Foi enganado, mais uma vez. Ficou desempregado, sem-teto e passando fome. Não tinha (e não tem) onde ficar. A solução foi montar um barraco debaixo de árvores dessa avenida. Agora, enfrenta outros problemas. Sabe que os moradores do condomínio não suportam a ideia de ter um sem-teto como vizinho.

Como nos dias atuais brotou, notadamente nas pessoas de posse, de direita, o sentimento do negacionismo. Sendo assim, turva ou distorce a visão da nossa realidade. Por mais crítica seja a vida desse sertanejo, parte do fortalezense só enxerga o Natal dos shoppings da antiga Aldeota ou da Avenida Dom Luis. O verdadeiro sentimento humano está afunilando para o segundo plano. Enquanto isso, para muita gente, Natal só nos comerciais das televisões.

Fonte: Site da Rádio Clube 1200/Arilo Araujo com texto e fotos

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