Mais vacinas, menos armas

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Enquanto vivemos o longo drama da infindável pandemia que se abateu sobre o Brasil, eis que o presidente Jair Bolsonaro assinou, na primeira quinzena deste mês, quatro decretos que flexibilizam o uso e a compra de armas de fogo no País. Entre outras coisas, um dos decretos aumenta de quatro para seis o número de armas que o cidadão comum pode adquirir, elevando-se para oito no caso de policiais e agentes prisionais, entre outras atividades de segurança pública. Os caçadores, atiradores e colecionadores também ficam autorizados a comprar até 5 mil munições para cada arma de uso permitido, quando anteriormente podiam comprar “apenas” mil munições por arma, anualmente. São decretos absurdos, que estimulam, ainda mais, coisas como os já elevadíssimos índices de violência, que não param de crescer no País, ou o estímulo à caça predatória, dizimando a já combalida fauna brasileira. Cremos que o governo, ao invés de voltar-se para tais assuntos, deveria priorizar todas as questões atinentes à pandemia, tais como a implantação de um plano nacional de imunizações eficiente e responsável, com uma logística de distribuição de vacinas que realmente funcione. 

Ou, ainda, a ampliação dos leitos hospitalares de forma a atender a demanda de vítimas da CoVid-19, que não para de aumentar. Estamos atravessando, sim, uma guerra, mas não precisamos de armas de fogo para combater o inimigo. Necessário se faz que o Governo Federal atue em conjunto com os governos estaduais, esquecendo querelas políticas e solucionando problemas burocráticos que eventualmente surjam para que a vacinação avance. Precisamos, sim, e com urgência, de mais vacinas e menos armas. É preciso produzir mais doses, para que rapidamente sejam atingidos todos os segmentos da população. O momento é aterrador, com o avanço da pandemia. Que haja mais lucidez na condução desta questão.

Gilson Barbosa / Jornalista

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