João Alberto, nosso George Floyd

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O País acordou estarrecido, na manhã seguinte ao Dia Nacional da Consciência Negra deste ano, com a brutalidade praticada por dois seguranças a serviço de um supermercado em Porto Alegre, contra o aposentado João Alberto Silveira Freitas, negro, 40 anos. Alegando uma suposta atitude desrespeitosa contra uma funcionária, os atacantes perseguiram-no até o estacionamento e, lá, aplicaram-lhe seguidos socos e chutes violentos, levando-o a perder grande quantidade de sangue, a consciência e, ao fim e ao cabo, a própria vida. Com este ato de barbárie, sem que ninguém interviesse para cessar as agressões, tivemos o nosso George Floyd. 

Em maio passado, esse afro-americano foi imobilizado e asfixiado durante quase nove minutos por Derek Chauvin e outros policiais violentos numa rua de Minneapolis, em Minnesota (EUA), acusado de ter pago uma compra num supermercado com uma cédula falsa de 20 dólares. Sua morte , num país historicamente marcado pelo racismo e discriminação, deu força ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), acirrando ânimos e provocando conflitos de rua entre negros e policiais, como há décadas não se via nos Estados Unidos.

Aqui, o racismo estrutural, efeito de erros do passado jamais reparados, tem causado, com frequência, eventos onde cidadãos negros têm sido detidos injustamente ou agredidos sem que esbocem qualquer gesto ofensivo contra os agressores.

George Floyd era pai de cinco filhos. João Alfredo, de quatro. Sua companheira, Milena, disse que ele não era violento. Ainda que tenha errado e ofendido de alguma forma a funcionária, a cólera aplicada contra João jamais justificar-se-ia.

Somos, segundo o IBGE, 209,2 milhões de brasileiros, dos quais 108,9 milhões (56,1% da população) declaram-se pretos ou pardos. Na verdade, todas as vidas importam! Que seja feita justiça contra seus covardes algozes, é o que todos esperamos.

Gilson Barbosa. Jornalista. Imagem> Internet


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Artigo de Opinião


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