Grileiros, madeireiros e garimpeiros fazem festa nas terras indígenas

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Alguns servidores heróis do Ibama agem contra garimpos ilegais em terras indígenas

Vivemos tempos difíceis que nos impõem a adoção de medidas inimagináveis há bem pouco tempo. Uma delas, o isolamento social, é um grande desafio para a sociedade brasileira. Porém, é a melhor opção para prevenir a proliferação em massa do novo coronavírus (Covid-19), segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), sejamos nós moradores da cidade, do campo ou das florestas.

No entanto, na contramão de grande parte da população brasileira, grileiros, madeireiros e garimpeiros não paralisaram suas atividades e seguem a todo vapor cometendo atividades criminosas que destroem a floresta. Estas pessoas precisam, urgentemente, serem impedidas de prosseguir, sob pena de, em nome da ganância por terra, madeira e minérios, se transformarem nos transmissores do coronavírus para os mais de 400 mil indígenas dos 180 povos que há milênios vivem na Amazônia.

De setembro de 2019 a 12 de março, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram gerados 16.212 alertas de desmatamento para 3.282,89 Km² de floresta, que, provavelmente, serão alvo das queimadas efetuadas por pecuaristas ou grileiros durante a estação seca na Amazônia. Um preocupante agravante, ainda mais neste contexto de pandemia, é que as queimadas sobrecarregam ainda mais o sistema de saúde da região.

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre maio e junho de 2019, no início da temporada de queimadas, nas áreas mais afetadas pelo fogo, o número de crianças internadas com problemas respiratórios dobrou. Foram nada menos que 2,5 mil internações a mais, por mês, gerando um custo excedente de R$ 1,5 milhão ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Na esteira dos impactos econômicos e da insegurança gerada nos mercados em meio à pandemia global, em apenas três meses o preço do grama de ouro subiu quase R$ 100, passando de R$ 197,54 em dezembro de 2019 para R$ 268,17 no final de março de 2020. Estamos já testemunhando uma nova corrida ao ouro, que trará consequências inestimáveis à floresta e a seus povos. O compromisso do governo Bolsonaro de atender as demandas do setor mineral, liberando a exploração de minérios nas terras indígenas e regularizando os milhares de garimpos ilegais, tanto dentro como fora desses territórios, acende uma perigosa luz vermelha.

Segundo a Rede Amazônica de Informação Socioambiental (Raisg), em dezembro de 2018, a Pan-Amazônia já vivia uma epidemia de garimpo. Só na Amazônia brasileira, seriam pelo menos 18 terras indígenas invadidas por garimpeiros, entre elas as dos povos Munduruku e Yanomami. Juntas, elas somam mais de 10 milhões de hectares de floresta nativa que, atualmente, estão infestadas por milhares de garimpeiros. Infelizmente, esses povos apresentam índices alarmantes de contaminação por mercúrio, com provável origem nos garimpos da região.

Fonte: Carol Marçal e Danicley de Aguiar (Greenpeace)/Neo Mondo/ Foto: Christian Braga

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