Fernando Gomes: um Odorico Paraguaçu em pleno Século XXI

0
Pior exemplo de política da região

O ano de 2021 está cada dia mais próximo, mas Itabuna, cidade de pouco mais de 200 mil habitantes no sul da Bahia, tem como prefeito uma mistura anacrônica de Sinhozinho Malta e Odorico Paraguaçu, clássicos personagens da televisão brasileira dos anos 1970 e 1980. Sempre trajando pulseira, colar e relógio de ouro, Fernando Gomes, aos 81 anos, é um coronel sem papas na língua, de fala enrolada e jeito bruto. Recentemente, declarou que reabriria o comércio local “morra quem morrer”, em referência ao decreto de isolamento para conter a pandemia do novo coronavírus, que já matou quase 70 mil pessoas no país. A frase chocou pelo tom vil, constrangedor até mesmo para o infame prefeito de Sucupira, que nunca via problemas em pular “os entretanto” e partir para “os finalmente”.

De máscara no queixo e tossindo, Gomes declarou no dia 30 de junho que a cidade voltaria a funcionar a qualquer custo. Na ocasião, ele anunciou o adiamento da reabertura, previsto inicialmente para 1º de julho, em razão da alta taxa de ocupação dos leitos de UTI no Hospital de Base. No entanto, disse que tudo voltaria ao normal no dia 9, a despeito dos mortos. Depois da péssima repercussão, o prefeito pediu desculpas, reafirmou que tem tratado a pandemia com o “máximo de rigor, lutando para salvar vidas” e que sua declaração foi interpretada de modo “errado e sensacionalista”. Itabuna é o quinto município da Bahia com mais casos da Covid-19, totalizando 3.191 infectados em 7 de julho. O município teve 95 mortes confirmadas pelo coronavírus e ocupa o quinto lugar na lista com maior número de casos ativos — 944.

Os moradores entrevistados falaram, em condição de anonimato, que a postura do prefeito fez com que o comércio local continuasse a funcionar de portas fechadas, a despeito do decreto de isolamento, e que nenhuma fiscalização fosse feita. Uma moradora contou que tentou chamar fiscais para denunciar uma festa que acontecia no terreno vizinho, mas foi ignorada.

A gestão de Gomes foi alçada ao escrutínio nacional no final da década de 1990, quando o dono de um jornal de Itabuna, Manoel Leal de Oliveira, foi assassinado com seis tiros na frente de casa, depois de publicar uma série de reportagens que apontavam supostos atos ilícitos na prefeitura. Oliveira sustentava que o prefeito pagava diárias irregulares ao chefe da polícia local, Gilson Prata, para perseguir adversários. As denúncias nunca foram comprovadas, mas o assessor de Prata, o policial Mozart Costa Brasil, foi condenado a 18 anos de cadeia em 2003 pelo assassinato do jornalista. Gomes não chegou a ser investigado.

Fonte: Época/Foto: (Reprodução)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui