Estatueta o ‘Exterminador do Futuro’, vai para: RICARDO SALLES

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Jovem, gentilmente, entrega o troféu ao ministro Salles, durante audiência, diante de olhares e espanto

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, desfilou no tapete verde da Câmara com o “Prêmio Exterminador do Futuro”. Alvo de protesto durante audiência na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Salles recebeu estatueta com um homem usando terno e segurando uma placa sobre o tronco de uma árvore derrubada

Em uma paródia das glamurosas premiações de Hollywood, um jovem estudante, com camisa branca, driblou a segurança no começo da reunião destinada a discutir as queimadas na Floresta Amazônica, roteiro dramático encenado pelo presidente Jair Bolsonaro ante a comunidade internacional, com a consequente suspensão do envio de recursos da Alemanha e da Noruega para o Fundo Amazônia.

O fundo já recebeu mais de R$ 3,4 bilhões em doações e tornou-se o principal instrumento nacional para custeio de ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de promover a conservação e o uso sustentável do bioma amazônico.

Sem romantizar os números dos incêndios na Floresta Amazônia, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que usa imagens de satélite para monitorar as queimadas, mostra aumento de 83% no número de incêndios florestais no Brasil entre janeiro e agosto de 2019, numa comparação com igual período de 2018. Isso rendeu o prêmio de inimigo do governo.

Na audiência, Salles responsabilizou os governos passados pela falta de recursos para o combate aos incêndios e pela redução do orçamento de áreas destinadas à preservação ambiental. Disse que a queda e a fragilização do quadro de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) vêm de gestões passadas.

No meio da reunião, o ministro viu uma funcionária da área ambiental, usando uniforme de fiscal, tomar o protagonismo da audiência ao aplaudir e gritar: “Muito bem, deputada. É isso aí”. A servidora fazia referência às críticas da deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS) aos cortes nos recursos do ministério destinados à fiscalização e controle de queimadas.

O ministro encerrou a reunião sem permitir os questionamentos de quatro deputados, o que gerou protesto. Saiu às pressas, em uma cena repetida outras vezes no Congresso.    

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