Divisão entre integrantes de ‘não facção’ e grupo carioca chega aos centros socioeducativos do Ceará

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Integrar uma facção, aparentemente, não é mais posição de privilégio dentro do ‘mundo do crime’. Nos últimos meses, autoridades passaram a perceber que muitos suspeitos quando localizados e detidos dizem pertencer a uma massa e até mesmo se negam a estar próximo, trancafiado junto a um membro de determinado grupo já conhecido.

A divisão já percebida nas ruas do Ceará e que motiva crimes, como a Chacina da Sapiranga, agora também é vista dentro dos centros socioeducativos que abrigam adolescentes em conflito com a lei. O juiz Manuel Clístenes, titular da 5ª Vara da Infância e Juventude de Fortaleza, afirma que até o momento apenas 5% dos equipamentos são ocupados pelos que se autodenominam da “massa”.

Pela atual situação de não haver excedente populacional nas unidades devido à exigência do Supremo Tribunal Federal (STF), é possível manter permanecer com a divisão dos internos, conforme afinidade. Membros das facções correspondentes e desta ‘não facção’ ficam separados dentro dos prédios, e assim se evitam conflitos.

No entanto, com a crescente da adesão dos suspeitos que dizem ser da massa existe a preocupação para as possíveis situações de confrontos. “É como se fosse uma volta ao tempo ao se intitular da massa. O que podemos identificar é que a maioria deles saem de uma facção criminosa carioca e se desvinculam. Então, pertenciam a um grupo e agora querem algum tipo de liberdade”, explica Manuel Clístenes.

O magistrado destaca que o movimento surge como um “tipo de revolta” contra regras rigorosas impostas dentro dos grupos armados fundados há décadas. Conforme apuração da 5ª Vara da Infância e Juventude de Fortaleza, em cada um dos espaços administrados pela Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo (Seas) há de três a seis jovens nesse perfil.

TROCA DE LÍDERES

A maior parte dos que dizem não pertencer a facção específica vêm da Grande Messejana e da Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza. Em ambos os territórios foi preciso substituir lideranças dos grupos armados, após prisões de membros do alto escalão das organizações ou até mesmo mortes durante confrontos protagonizados entre rivais.

“O que acontece dentro dos centros socioeducativos é reflexo do que há nas ruas. Os territórios dos que se dizem da massa ao serem entrevistados quando entram nas unidades coincidem com os territórios onde têm mais homicídios, mais confrontos”, esclarece o titular da 5ª Vara da Infância e Juventude de Fortaleza.

Conforme a Superintendência, atualmente, “os centros socioeducativos contam com metodologia de Práticas Restaurativas, Círculos de Paz e Gerenciamento de Conflitos para diminuir a influência das organizações nas unidades socioeducativas”.

Fonte: Diário do Nordeste

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