Debate sobre federação entre MDB e União Brasil avança, dizem deputados

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As negociações em torno de uma possível federação partidária entre o MDB e o União Brasil — legenda que nasceu a partir da fusão entre o PSL e o DEM — estão avançando. É o que afirmaram nesta quinta-feira, 17, os deputados federais Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Junior Bozzella (União Brasil-SP).

Os parlamentares foram entrevistados pelo programa Opinião no Ar, exibido pela RedeTV!.

Pelas regras da federação partidária, as agremiações que selarem a união terão, necessariamente, de caminhar juntas por um período de quatro anos, inclusive nas eleições municipais de 2024. A conciliação de interesses regionais, que muitas vezes não seguem a lógica nacional, pode ser um entrave para a composição.

“As federações partidárias se tornam uma interessante alternativa para os partidos. É um instituto novo. O MDB segue discutindo essa possibilidade com o União Brasil”, disse Bulhões. “Em um espaço médio de tempo, os partidos avançarão cada vez mais em busca da federação”, completou o deputado.

Segundo Bulhões, as discussões sobre a federação encontram maiores dificuldades em sete Estados, o que não deve comprometer a união entre as duas legendas. “É um gesto de fortalecimento do centro, o MDB mais voltado à centro-esquerda e o União Brasil à centro-direita. Temos poucas divergências programáticas”, avalia.

Bozzella, por sua vez, afirmou que o instrumento da federação partidária, inédito no Brasil, deve ser muito bem discutido antes de ser implementado. “Essa questão precisa ser bastante aprofundada. Quando o Parlamento decide pelo fim das coligações, esse modelo da federação tem um propósito maior de ajudar alguns partidos que não têm a mesma capilaridade ou a força política de um MDB ou do União Brasil. Precisamos ter um cuidado grande nesse debate”, afirmou.

Apesar da preocupação, Bozzella disse que a federação pode ser um caminho para os partidos de centro se fortalecerem no Parlamento e no jogo eleitoral. “Estamos buscando fugir dos extremos e da polarização. Isso talvez seja uma saída, uma alternativa”, diz. “E, com uma eventual eleição de um ou outro extremo, teremos um agrupamento de forças políticas no Congresso e talvez um centro moderado seja o ponto de equilíbrio por meio das federações.”

Candidatura

Durante o programa, Bulhões e Bozzella falaram sobre cenários para a disputa presidencial de outubro. O deputado do União Brasil citou os nomes do presidente nacional do partido, Luciano Bivar, e da senadora Simone Tebet (MDB-MS) — pré-candidata ao Palácio do Planalto — como boas alternativas para compor uma eventual chapa.

“O presidente Bivar é presidente do maior partido do país, defensor do liberalismo econômico, um democrata em sua essência. Assim como a senadora Simone Tebet tem dado um exemplo de conduta, com espírito democrático e republicano. Seria uma boa chapa”, avalia Bozzella.

“Nesse nosso campo, ainda precisamos depurar um pouco mais esse debate e tirar algumas outras candidaturas dessa discussão, para que elas possam se unir a essa frente. A união desses partidos é importante”, continuou o parlamentar.

Bulhões também elogiou Tebet, mas admitiu a relação de proximidade entre o MDB de Alagoas e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governador do Estado é Renan Filho – filho do senador Renan Calheiros, aliado do petista.

“O MDB tem uma pré-candidatura posta e nós respeitamos a tentativa de viabilizar e convencer o partido a aprovar a candidatura da senadora Simone Tebet”, afirmou Bulhões. “Nós tivemos nas últimas eleições municipais e estaduais, bem como nas eleições federais, alianças do MDB de Alagoas com o PT. Isso sempre ficou muito claro. Mas hoje o partido trabalha em respeito à pré-candidatura da senadora Simone Tebet.”

Bozzella citou também o nome do ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro, pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos.

“Eu tenho me manifestado publicamente e sempre fui entusiasta e defensor do cidadão Sergio Moro, que cumpriu um papel importante na sociedade”, afirmou. “Quando o Moro retornou ao Brasil e colocou-se como possível alternativa aos extremos, conversei com os colegas de bancada e com o presidente Bivar para que tivéssemos essa aproximação. Houve uma sinergia, as conversas amadureceram”, concluiu, sem dar maiores detalhes sobre um eventual apoio a Moro.

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