De traficantes a vítimas de bala perdida: 90% das mortes violentas no Ceará têm relação com facções

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A abrangente existência das facções criminosas no Ceará, hoje reconhecida pelas autoridades, é determinante para o número de mortes violentas no Estado. Em entrevista exclusiva concedida ao Diário do Nordeste, o secretário da Segurança Pública, Sandro Caron, fala que “90% dos homicídios aqui no Estado têm como motivação o envolvimento de pessoas em facções criminosas, no crime organizado e tráfico de drogas”.

O percentual engloba além das vítimas envolvidas diretamente no ‘mundo do crime’. O secretário explica que “nem toda vítima de homicídio tem envolvimento com facção”, mas, muitas vezes, “é alguém que está em um tiroteio e é vitimado, algum parente de quem compõe o crime organizado”. São vítimas que “estavam no local errado e na hora errada”.

Nos últimos quatro anos, foram registrados quase 15 mil Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs), no Ceará.

CONTROLE DOS TERRITÓRIOS

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, edição especial eleições, rememora o cenário violento da última década. “Desde o início dos anos 2010, o Ceará enfrentava elevações significativas nos crimes violentos, alternadas com reduções intermitentes, sem lograr êxitos expressivos. Um dos fatores que mais contribuíram para esta situação foi a atuação simultânea das três maiores facções do Brasil”, trazem os pesquisadores.

“Na periferia do Ceará, estar livre não quer dizer o mesmo que ser livre. Você pode estudar, trabalhar e ter uma família bem estabelecida. E, mesmo assim, não ser livre o suficiente para atravessar uma rua, frequentar uma escola ou ir para um posto de saúde. Isso acontece se você mora em um bairro dominado por uma facção e precisa se dirigir a um bairro dominado por outra facção”

“Tem o trabalho da Polícia, mas tem também a relação com a dinâmica do crime. As facções se tornam menos letais depois de anos, depois de guerras incessantes. Nessas disputas, ainda tem o elemento emocional. Há casos de vingança, mortes por cobrança de clientes inadimplentes com o tráfico. As variáveis são muitas”, aborda Jania.

Fonte: Diário do Nordeste

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