Cenas de filme de terror: Mortes de idosas em abrigo choca a todos, dona do abrigo é presa

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Infelizmente esse tipo de situação acontece no século XXI, uma verdadeira cena de filmes de terror, o promotor de Justiça Alexandre Alcântara classificou como uma “Casa de Horrores”, ele fala sobre o abrigo privado Espaço de Bem-Estar Socorro Oliveira, situado no bairro Monte Castelo, em Fortaleza. “Até assassinatos”, afirma o promotor, teriam ocorrido no interior da instituição. Pelo menos dois homicídios por omissão. Por ordem judicial, a residência de acolhimento será fechada por tempo indeterminado e a proprietária, Benedita de Oliveira de Sousa de 64 anos está presa preventivamente por suspeita de uma série de crimes contra os seres humanos internados lá.

Além de supostos homicídios que teriam sido praticados contra dois idosos, a responsável pelo abrigo terá de responder por espancamentos, tortura, apropriação indébita de cartões de crédito, violência medicamentosa, violência psicológica, injúria preconceituosa e maus-tratos de toda ordem contra pessoas idosas e deficientes físicos assistidos, na velhice, pelo Espaço Bem-Estar.

A Polícia cumpriu o mandado de prisão expedido contra a suspeita na manhã desta quinta-feira (25). Por nota, a PCCE informou que sete idosos e mais três pessoas com deficiência, totalizando dez vítimas, viviam em total insalubridade onde, no momento da abordagem policial, estavam sem se alimentar por horas. A ação policial, que culminou na prisão da investigada, teve o apoio do MPCE, Secretaria de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Posto de Saúde Carlos Ribeiro e Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).

A mulher foi presa no próprio abrigo, e permanece detida até o início da noite desta quinta. A Instituição foi interditada por determinação judicial e os idosos levados a novos abrigos na Capital. A reportagem não localizou a defesa de Benedita.

Mortes

Entre os horrores descritos ou gravados ou filmados por testemunhas está o caso escabroso da idosa Rosa, que morreu em maio deste ano no abrigo. De acordo com o relatório de inspeção do Ministério Público e com depoimento na Delegacia do Idoso, Rosa tinha Alzheimer e usava sonda para alimentação e medicação.

Na semana da morte, testemunhas contaram que Rosa “apresentou prisão de ventre, ficando com o abdômen distendido”. Mesmo tendo plano de saúde pela Unimed, a proprietária do Espaço Bem-Estar proibiu que as cuidadoras acionassem a ajuda. Foi, então, que recorreram à médica do posto de saúde do bairro.

Depois de constatar a gravidade do problema da idosa, a médica recomendou que Rosa “deveria ser removida para UPA imediatamente”. A orientação da médica foi comunicada à dona do abrigo e com um alerta de que era melhor acionar o plano de saúde, pois daria direito à ambulância e leito. “Entretanto a investigada não permitiu, afirmando ser médica e que saberia tratar da situação”, descreve o relatório do MPCE e o pedido de prisão preventiva da Polícia Civil.

De acordo com as testemunhas, a proprietária do Espaço-Bem “solicitou que as cuidadoras esquentassem água. Logo em seguida, a investigada introduziu duas ou três vezes um frasco de nutrição enteral, com água morna, no corpo da senhora Rosa”. Em seguida, a investigada subiu na idosa e apertou sua barriga e, neste momento, a idosa defecou sangue, sangrou pelo nariz e pela boca. Ficou arroxeada e gemia de dor”, relataram as testemunhas.

Mesmo diante do quadro grave e a dificuldade de respiração de Rosa, a dona do abrigo não teria acionado de imediato o socorro pelo plano de saúde e ainda teria ordenado que retirassem a idosa do balão de oxigênio.

“No dia seguinte, por volta das seis horas da manhã, a testemunha recebeu uma ligação da investigada informando o falecimento de Rosa”. A administradora do abrigo teria impedido que o Sistema de Verificação de Óbitos (SVO) removesse o corpo do abrigo. E dito que a cuidadora “solicitasse à família que a investigação sobre morte não fosse realizada”, para evitar sofrimento aos familiares. Os parentes da idosa só souberam da condição precária de saúde e do óbito da longeva porque a funcionária do abrigo ligou para uma cunhada da falecida.

Idosa teria morrido amarrada em uma cadeira

Outra morte investigada pelo promotor Alexandre Alcântara, 1ª Vara Promotoria de Justiça e Defesa do Idoso e da Pessoa Com Deficiência, e pelas delegadas Rena Gomes e Jeovânia Cavalcante Holanda é o falecimento da idosa Terezinha. Segundo as testemunhas, a interna chegou ao Espaço de Bem-Estar Socorro Oliveira “com grau de dependência um, com autonomia para realização de suas atividades diárias. Alimentava-se só, se locomovia sem dificuldades. Mas era uma idosa que exigia cuidados especiais por conta de seus problemas de tireoide”.

Terezinha, segundo o promotor Alexandre Alcântara, tinha um caroço na garganta que dificultava a deglutição. E, em consequência, a medicação tinha de ser administrada em horários específicos. De acordo com as testemunhas, a idosa era bem assistida pela filha, porém, a administradora do abrigo “passou a dificultar o contato das duas”. Num domingo de visita, sem a presença da administradora, a filha teria constatado a falta de cuidados adequados.

Segundo a testemunha, a filha “identificou que as medicações não estavam sendo dadas de maneira correta. Inclusive que sua mãe estava sem defecar e sem tomar a medicação para facilitar a evacuação”. Terezinha faleceu dias depois em situação não esclarecida e com informações nebulosas sobre o horário do óbito. De acordo com as cuidadoras, depois de “amarrada em uma cadeira”, a longeva teria tido uma parada cardíaca fulminante. Fato que teria sido constatado pelos socorristas do Samu. 

Esse só são algumas da denúncias envolvendo esse caso

Fonte: O Povo

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