Destaque
Bolsonaro é preso preventivamente
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso na manhã deste sábado (22), após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem atende a um pedido da Polícia Federal (PF) e tem caráter preventivo, ou seja, não possui prazo determinado e deve ser revisada periodicamente pela Justiça.
Segundo a decisão, a medida não decorre da condenação já existente por tentativa de golpe de Estado. Trata-se de uma ação cautelar, adotada diante de novos fatos que, segundo o ministro, representam risco à investigação e ao cumprimento das medidas impostas anteriormente ao ex-presidente.
O ponto central da decisão foi a convocação de uma vigília realizada na noite de sexta-feira (21), articulada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em frente ao condomínio onde Bolsonaro cumpre medidas restritivas. Para Moraes, o ato — apresentado publicamente como uma manifestação em prol da saúde do ex-presidente — indica “possível utilização de apoiadores para obstruir a fiscalização das medidas cautelares”.
No texto, Moraes também sustenta que há indícios de risco de fuga, reforçados pela movimentação incomum de aliados e pelo que ele classificou como “repetição do modus operandi da organização criminosa liderada pelo referido réu”. De acordo com o ministro, o grupo teria histórico de usar manifestações públicas para gerar tumulto, mobilizar apoiadores e buscar benefícios para Bolsonaro.
A decisão cita ainda que a aglomeração em frente ao condomínio poderia comprometer o trabalho de monitoramento das autoridades e servir como cobertura para eventuais tentativas de descumprimento das obrigações impostas ao ex-presidente.
Com a ordem de prisão preventiva, Bolsonaro é levado a cumprir a nova determinação enquanto o STF analisa periodicamente se persistem os elementos que justificam a medida.
Destaque
Bebê de 1 ano morre afogado no Icaraí
Na manhã desta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, um bebê de 1 ano e 9 meses morreu após se afogar em uma piscina localizada em uma residência no bairro Praia do Icaraí, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. A criança foi encontrada em situação de afogamento dentro do imóvel, o que mobilizou familiares em busca de socorro imediato.
Segundo informações apuradas, o bebê foi levado por um adulto e pela irmã, de 13 anos, até o quartel do Corpo de Bombeiros da região. Ao chegar ao local, a criança já estava desacordada e sem sinais vitais, o que levou as equipes de resgate a iniciarem os procedimentos de emergência.
Bombeiros militares realizaram manobras de reanimação cardiopulmonar com apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas chegou a ser acionado e permaneceu de prontidão para uma possível transferência hospitalar, mas o óbito foi confirmado ainda no quartel.
Apesar dos esforços das equipes de socorro, a criança não respondeu aos procedimentos médicos. A confirmação da morte causou comoção entre familiares e pessoas que acompanhavam o atendimento no local.
A Polícia Civil do Estado do Ceará foi acionada para investigar as circunstâncias do afogamento. O caso será apurado para esclarecer como ocorreu o acesso da criança à piscina e se havia algum fator que possa ter contribuído para o acidente.
O corpo do bebê foi encaminhado para a realização dos exames periciais, que devem auxiliar na confirmação da causa da morte. A investigação também inclui a coleta de depoimentos de familiares e possíveis testemunhas.
Casos de afogamento envolvendo crianças pequenas em piscinas residenciais são considerados graves e costumam acontecer de forma silenciosa e rápida, o que reforça a necessidade de atenção constante em ambientes com água.
O episódio gerou tristeza entre moradores da região e reacendeu o debate sobre a importância de medidas de segurança e supervisão contínua de crianças, especialmente em residências que possuem piscinas ou outros locais de risco.
Ceará
Emboscada deixa quatro mortos em cidades do interior do Ceará
Quatro homens foram assassinados em uma ação criminosa considerada uma chacina no interior do Ceará. Os corpos foram localizados em dois municípios diferentes, o que inicialmente levantou a hipótese de crimes distintos, descartada após o avanço das investigações policiais.
O primeiro corpo foi encontrado na zona rural de Pires Ferreira. Pouco tempo depois, outros três homens foram achados mortos nas proximidades do Açude Araras, área que fica entre municípios da região Norte do Estado e costuma ter acesso difícil.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, os homicídios fazem parte de um mesmo episódio violento, ocorrido após uma emboscada. A polícia aponta que o grupo foi atraído de forma planejada para um local isolado, onde acabou surpreendido por homens armados.
As investigações indicam que as vítimas teriam ido até uma ilhota no açude utilizando uma canoa, com o objetivo de realizar um ataque criminoso. No entanto, ao chegarem ao ponto combinado, foram cercadas e executadas a tiros.
A Polícia Civil apura que os quatro homens tinham ligação direta com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). A principal linha investigativa é que a emboscada tenha sido articulada dentro do próprio contexto do crime organizado, possivelmente envolvendo disputas internas ou conflitos com grupos rivais.
Três das vítimas já foram oficialmente identificadas: Antônio Paulo Sérgio da Silva Costa, de 28 anos; José Breno de Lima Dutra, também de 28; e Maicon Rodrigues Melo, de 30 anos. O quarto homem segue sem identificação confirmada pelas autoridades.
Informações preliminares apontam que alguns dos mortos possuíam antecedentes criminais, incluindo envolvimento com tráfico de drogas e outros delitos, o que reforça a hipótese de ligação com organizações criminosas atuantes na região.
Brasil
Arquidiocese restringe atuação digital de padre Júlio Lancellotti e decisão gera críticas
A decisão da Arquidiocese de São Paulo de restringir as transmissões das missas e o uso das redes sociais do padre Júlio Lancellotti gerou estranhamento e críticas dentro e fora da Igreja. Conhecido nacionalmente por sua atuação junto à população em situação de rua, o sacerdote agora vive um período de “recolhimento” determinado pela hierarquia católica, em um momento de forte exposição e debate público sobre seu trabalho.
O próprio padre anunciou a suspensão das transmissões ao final de uma celebração, agradecendo à equipe e afirmando que obedeceria à orientação da Arquidiocese. O tom foi de resignação, mas a medida chamou atenção por atingir justamente um dos poucos religiosos que utilizam as redes como extensão direta de sua missão pastoral, alcançando fiéis e pessoas vulneráveis que não frequentam a igreja fisicamente.
A Arquidiocese afirma que se trata de uma decisão interna e temporária, sem dar maiores detalhes. Ainda assim, o silêncio institucional contrasta com o impacto público da medida. Ao optar por restringir a voz de um padre reconhecido pelo trabalho social, a Igreja acaba transmitindo a imagem de que o problema não são os ataques sofridos por ele, mas a visibilidade de sua atuação.
Padre Júlio Lancellotti construiu sua trajetória ao lado dos mais pobres, denunciando a violência contra pessoas em situação de rua, distribuindo alimentos, cobrindo corpos no frio e confrontando políticas públicas que criminalizam a pobreza. Suas ações extrapolam o discurso religioso e se materializam em gestos concretos, que renderam reconhecimento internacional e, ao mesmo tempo, hostilidade de grupos conservadores.
Nos últimos anos, o padre se tornou alvo frequente de ataques políticos e ideológicos, especialmente por sua postura firme em defesa dos direitos humanos. Em vez de um posicionamento público de proteção e respaldo, a resposta da cúpula da Igreja foi reduzir sua presença digital, o que muitos interpretam como uma concessão à pressão externa.
As missas presenciais seguem acontecendo normalmente, mas a ausência das transmissões afasta justamente quem mais se beneficiava delas: idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e apoiadores que encontravam ali uma mensagem de acolhimento e denúncia social. A decisão, ainda que administrativa, produz efeitos que vão além dos muros da paróquia.
Internamente, a Igreja fala em obediência e disciplina. Externamente, cresce a percepção de que a instituição falha em reconhecer o valor pastoral e social de quem vive o Evangelho de forma prática e incômoda. Ao limitar a atuação pública de Lancellotti, a Arquidiocese acaba reforçando uma distância entre discurso religioso e ação concreta.
Enquanto isso, o trabalho do padre segue vivo nas ruas, nas comunidades e na memória de quem foi ajudado. O silêncio imposto pelas estruturas da Igreja não apaga décadas de dedicação aos que raramente têm voz. Pelo contrário, evidencia um conflito cada vez mais visível entre uma fé vivida na prática e uma instituição que parece desconfortável com ela.
