ARTE: FONTE DE SOBREVIVÊNCIA DE QUEM VIVE NO ASFALTO

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Nem mesmo o preconceito, falta de bom senso de alguns motoristas, o sol do meio-dia fazem com que o jovem de 15 anos, Jean Vais desista da sua luta para sobrevivejr. Quase todos os dias, ele, sozinho, com uma cadeira quebrada, alguns ovos e bolas, mostra ao público a magia dos malabares. Seu espetáculo, o mais elaborado, acontece aos finais de semana, no cruzamento da Avenida 13 de Maio com a Rua Martins Rodrigues, bairro de Fátima.

Por volta do meio-dia, insistentemente, com categoria, estendia a mão esquerda e pedia uma gratificação. Na maioria das vezes, só recebia resposta negativa, principalmente de alguns motoristas, com seus carros de marca importada. Sem perder a compostura, o jovem malabarista de rua, Jean Vais diz que o clicar de travar das portas dos veículos, cara feia e zombaria fazem parte da apresentação. Afirma em tom, também, de gozação.

A arte milenar de malabares está na veia de Jean Vais. Desde cedo, na busca do ganha-pão, foi iniciado no espetáculo da rua. Ele conta que desde menino via seu irmão mais velho, hoje trabalhando na Avenida Domingos Olímpio, levantando bolas ao ar, distraindo motoristas e transeuntes. Quando o dia “está bom”, no cruzamento da 13 de Maio, apura um pouco mais de R$ 10,00. Ontem, por volta das 11 horas, tinha em caixa uns quatro reais.

O sonho de Jean Vais é tornar-se profissional em malabares e fazer show em circo. “A gente tem que pedir, de manhã até á tarde, uns trocados. Tem muita gente boa. A maioria que ajuda mora no bairro. Acho que conhece nosso trabalho e sabe que não sou malandro. Quem não dá nada, passa a trava nas portas do carro, dizem palavras ruins comigo, não ligo e desejo um bom dia”, desabafa.

A reportagem da Rádio Clube AM 1200 perguntou se os instrumentos de malabares ajudam a realizar o espetáculo. Sem pestanejar disse: “Cara, os ovos são de verdade. Já perdi dois, pois um motoristas me deu um susto danado, acelerando o carro. Tenho sorte. Ontem um bodegueiro me arranjou quatro ovos. Agora só tenho dois’, relatou rindo. Sem perder o equilíbrio diz: sei demonstrar ao meu público como vencer os obstáculos da vida.

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