A historinha de Rodolfo

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Rodolfo Teófilo (1853-1932), nascido na Bahia, mas que veio para o Ceará ainda jovem e aqui residiu até o fim da vida, não se destacou apenas na literatura. À época de Nogueira Accioly (1840-1921), opôs-se ao poderoso chefe político que mandou e desmandou no Estado entre 1896 e 1912. Suas opiniões custaram-lhe a perda do cargo de professor de História no antigo Liceu, como nos conta Humberto de Campos (1886-1934) em seu livro “Destinos”. 

Também farmacêutico e preocupado com o avanço da varíola no Ceará, Rodolfo aprendeu a fabricar aqui a vacina e passou a vacinar o povo pelos bairros pobres de Fortaleza. Distribuía de graça o fármaco pelos médicos locais que o pediam ou enviava-o, sem nada cobrar, para os Estados vizinhos. 

Enquanto isso, o Governo de Accioly, alheio ao sofrimento do povo, perseguia-o, multando-lhe o laboratório ou aconselhando o povo a não tomar a vacina, tachando-a falsamente de mortal e venenosa.

Montado em um burro, percorreu cidades próximas da Capital e, para convencer os caboclos a se vacinarem, criou esta historinha cristã que por certo repetiu muitas vezes: “Uma grande cidade, há muitos anos, foi atacada pelas bexigas, que mataram quase todo o povo. Quem não morreu, fugiu, abandonando tudo. Havia, porém, um homem muito bom, que partiu e encontrou-se com uma mulher que puxava uma vaca toda preta, seguida de um alvo bezerrinho. 

Ao explicar-lhe o motivo de sua fuga, a mulher mandou-o voltar à cidade, tirar uma gota do leite da vaca e, com ele, fazer três cruzes no braço de quem quisesse se salvar da peste”. A mulher seria Nossa Senhora e, seguindo suas instruções, o fugitivo salvou o resto do povo. 

A vaquinha teve depois outras crias e, do seu sangue e do leite, o benemérito visitante trazia algumas gotas para salvar aqueles pobres da doença que os afligia. Valendo-se desse recurso, esse grande homem salvou muitas vidas de cearenses.

Gilson Barbosa

Jornalista

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