A FARSA DA TRANSPOSIÇÃO

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            Barros Alves

Desde há muito e não de agora, ou seja, dos recém-findos farsantes governos lulocomunopetistas, a transposição de águas do Rio São Francisco para Estados do Nordeste setentrional tem estado na pauta dos políticos. Não foi FHC o pai dessa criança, nem Lula com seu propagandista ministro da Integração Nacional, o pindamonhangabense Ciro Gomes; nem outros demagogos que se lhes seguiram. A história registra ter sido o frade carmelita João de Santa Rosa a primeira pessoa que vislumbrou a possibilidade de transposição de “águas supérfluas do Rio São Francisco que assegurariam às zonas servidas uma riqueza capaz de se irradiar a todos os Estados do Norte do Brasil,” consoante escreveu o Dr. Domingos Jaguaribe, em 1897, autor em parceria com o Engenheiro Marcos Macedo, de uma “Contribuição para o Estudo e Canalização do Rio São Francisco ao Ceará.” Lembre-se que até os anos 1940 denominava-se Norte todos os Estados que hoje compõe o Nordeste brasileiro. O frade viajor que aventou a tal possibilidade percorreu a região entre os anos de 1818 e 1820, portanto há exatos duzentos anos, de acordo com registro epistolográfico do Dr. Marcos Macedo, datado de 8 de junho de 1853, endereçado ao Engenheiro alemão Heinrich Wilhelm Ferdinand Halfeld, então radicado em Juiz de Fora. Informa o missivista cearense, a partir da cidade do Crato, que arrimado na ideia do frade, o Ouvidor José Raimundo de Passos de Pordeus Barbosa foi ter às localidades e calculou que a obra seria orçada em cerca de dois milhões e quinhentos mil réis. Marcos Macedo informa ainda que Frei João de Santa Rosa recorreu a D. João VI, para que providenciasse a importante obra, o que não ocorreu em razão do retorno do rei para Portugal. Todavia, D. Pedro recebera expressas ordens de seu pai para dar encaminhamento ao ambicioso projeto. O Regente, de logo, ao nomear Pedro José da Costa Barros para a presidência do Ceará, “deu-lhe instruções mui positivas para vir ao centro e mandar proceder um exame sobre a possibilidade e vantagens da empresa”, que, como se constata nos dias que correm, jamais chegou a ser concluída. Com efeito, daquele tempo a esta parte, vários governos fizeram do discurso da transposição um trampolim para ganhar eleições. Vultosas quantias já sangraram o Tesouro nacional a titulo de recursos para a transposição, mas as águas cá não chegaram consoante a vontade do frade. E tudo continua como dantes no quartel de Abrantes com jeito e cheiro de farsa. Voltarei ao tema.

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