A “caneta” de Manoel

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*Gilson Barbosa-Jornalista

De uma hora para a outra, graças à rapidez das redes sociais, bem como à irreverência de numerosos internautas, o maranhense Manoel Gomes viu-se catapultado para o status de efêmera celebridade. Ele, que trabalhava como vigilante numa fazenda de Balsas (MA), pediu até licença do trabalho para dedicar-se ao que chama de “carreira artística”. A razão é que Manoel canta e compõe canções que logo caem no gosto de quem as ouve. Sua “Caneta Azul”, de simplória letra, conta a história de quando ele perdeu o objeto a caminho da escola, que estava marcado com suas letras. Um vídeo da pérola musical foi publicado nas redes sociais e desde então “viralizou”, com milhões de visualizações. Meteoricamente saído do anonimato, Manoel decidiu registrar , no cartório de sua cidade, além da tal “Caneta Azul” – que já recebeu outras versões, gravadas por artistas conhecidos no País -, a próxima canção com a qual ameaça importunar os ouvidos dos brasileiros. O nome? “Vou Deixar de Ser Besta”. Preparem-se!

Num país onde Lacraia e a Eguinha Pocotó já foram cantadas pela massa musicalmente deficiente, o êxito desse cidadão de 49 anos não surpreende. Mas lamentamos que tal aconteça. Até entendemos que as pessoas ouçam tais tolices como forma de protesto, diante dos desafios com que se defrontam todos os dias, neste País difícil de se viver! Mas bem que poder-se-ia dar espaço à criação de quem de fato tem músicas e letras belas, com substância, para mostrar. Porém, prevalece, nos meios de comunicação, a mentalidade de que somente músicas ridículas, apenas engraçadas, é que podem fazer sucesso. Manoel, Pel do Brega e outros anônimos são o retrato de um País que ainda muito deve a seu povo, no sentido de ofertar-lhe cultura de qualidade, na música, no cinema, na literatura. O Brasil não pode negar isto às pessoas! É condição indispensável também para o progresso do País.

(*)Jornalista e apresenta aos sábados , ao lado dos também jornalistas, Juarez Serpa e Everardo Lopes, o programa SENSO CRÍTICO, ao meio-dia, na RÁDIO CLUBE 1200

Pensemos nisto, pois!

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